Cinema #28 - Jack: O Matador de Gigantes!



Uma guerra antiga se reinicia quando Jack (Nicholas Hoult), um jovem trabalhador do campo, abre inconscientemente um portal entre o nosso mundo e uma raça de gigantes apavorantes. Soltos na Terra pela primeira vez depois de séculos, os gigantes tentam reconquistar seu território que foi perdido, forçando-o a entrar na batalha de sua vida para impedi-los. Lutando por um reino e seu povo, e pelo amor de uma corajosa princesa, Jack fica frente a frente com os guerreiros incansáveis que pensava serem apenas uma lenda... e ganha a chance de se tornar uma lenda também.




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AVALIAÇÃO PESSOAL
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★★★★★


Prepare-se para conhecer a história de “João e o Pé de Feijão”, como jamais foi contada. É hora de apimentar as coisas, e deixar que o conto mostre seu lado mais sombrio e apavorante. A velha fábula para criança acaba de ganhar uma versão adulta, e “Jack, o Matador de Gigantes”, mostra isso em relances rápidos e batalhas eletrizantes.

Jack é o filho de um pobre fazendeiro. Ainda criança, adorava ler contos sobre sua terra, de um tempo onde um poderoso rei enfrentou um exército de gigantes para proteger as pessoas. O mundo seria algo perigoso se caso esses monstros voltassem... E Jack estava prestes a conhecer este perigo.

18 anos depois, já um rapaz, o garoto agora mora com seu tio (após a morte de seu pai pela praga do século), um fazendeiro mal-humorado que não suporta muito criar o sobrinho. Em um belo dia, seu tio lhe entrega um cavalo e uma carroça, para que sai para vender e arrumar o alimento do dia seguinte. Obediente, Jack vai até a cidade em busca de um bom comprador. Lá, acaba-se deparando com uma linda moça, que vem a descobrir é sua futura rainha.

Após uma grande confusão, Jack acaba perdendo a carroça e trocando o cavalo por seis feijões, com um monge que estava fugindo. Um único aviso foi lhe dado em troca: “não deixe os feijões molharem”. Em retorno ao seu lar, depara-se com seu tio furioso, que acaba o deixando e partindo. Sem querer, durante a discussão, um feijão cai no buraco do piso, despercebido. Durante a noite, em uma forte tempestade, goteiras começam a aparecer e uma gota toca o feijão esquecido. Não demora muito até que as raízes comecem a se implantar no solo e que as galhas iniciem um processo assustador de crescimento. Em meio a isto, a princesa Isabel, fugindo do pai incompreensível, depare-se perdida em frente à casa de Jack, pedindo-lhe ajuda. Mas antes que as coisas possam “se esquentar” entre os dois, Jack é surpreendido por um imenso pé de feijão, que começa a subir mais e mais dentre as nuvens. Isabel, trancada dentro da casa, acaba sendo levada até o topo, onde encontrará as criaturas que tanto julgou ser apenas um mito: os gigantes. Agora Jack, e os cavaleiros do rei necessitam subir pelo pé de feijão, enfrentar as ameaças que vierem a aparecer, para assim salvem a princesa. Mas uma batalha difícil estar por vi, e os traidores do rei vão começar a aparecer. Jack, mais que ninguém precisará provar seu merecido valor.

O filme tem uma atitude despretensiosa. Não é aquele típico filme que você assisti e pensa “vai virar uma modinha” no público jovem. Pelo contrário, apesar de ser um longa retratando um conto infantil, “Jack O Matador de Gigantes” é altamente recomendado para todas a idades. A re-elaboração do conto de fadas deu uma nova visão aos leitores desses tipos de histórias. Com um ritmo muito bem organizado, os diretores souberam adicionar perfeitamente os detalhes, o romance e a ação em todos os momentos do filme.

A animação em 3D dos gigantes também ficou algo notável. De certa forma, você vive aquilo junto com os personagens, penetrando no universo de algo que julgou tão infantil. Isto torna a experiência prazerosa. As atuais adaptações cinematográficas têm essa capacidade de transformar aquilo que parece bobo ou infantil demais, em algo mais maduro, adulto, como aconteceu no filme João e Maria, Caçadores de Bruxas (conto do João e Maria), onde a velha fábula adota um estilo bem mais recomendado para jovens do que para crianças. Mas Jack se difere não só pelos acontecimentos não se procederem de forma forçada e rápida, como também por não abusar do aparecimento de sangue, com cenas um pouco forte demais para crianças (como foi o caso de João e Maria). O filme todo mostra sim um lado mais sombrio da história de João e o Pé de Feijão, contudo, nada que venha a ser impróprio para os pequenos leitores possam assistir.

O longa-metragem tem sido muito bem visto pela crítica mundial, ficando na margem da classificação entre 4 estrelas (segundo site da Revista Veja), o que realmente é de se concordar quando se assiste, avaliando os prós e os contras. E apesar de tudo, não consegui identificar muitos contra. A desenvoltura do protagonista, Jack, foi perfeita. Ele não é aquele personagem que simplesmente quer ser um herói. Ele tornar-se herói por acaso, para tentar salvar a moça que ama. Além disso, durante suas lutas, suas vitórias sobre os gigantes, não acontecem através da força bruta, porém, utilizando-se do intelectual, e elaborando planos que causam muitos problemas aos monstros. Outro ponto importante a se ressaltar é a interligação que o diretor fez para a coroa do rei Hercúles (o primeiro guerreiro a defender sua terra dos gigantes). Diferente das outras coroas, a dele, banhada no sangue do coração de um gigante, tem a capacidade de persuadir as criaturas, fazendo-as obedecer apenas aquele que usar esta coroa. Em momentos finais, uma cena que me chamou muito atenção, foi à amostra do que se procedeu com a coroa depois da luta final contra os monstros. Em visão do autor, a coroa passou por um processo lento, adentrando nas mais diversas histórias da humanidade, até que por fim, tornou-se apenas uma liga de ouro, onde foi utilizada para forjar as jóias da rainha da Inglaterra.

Se estiver buscando um filme bem arquitetado, com um enredo bem acentuado, então sua busca acabou. Conheça Jack O Matador de Gigantes e divirta-se através dessa aventura histórica.


 

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