Cinema #34 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain!



O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um filme sobre pessoas comuns que desejam realizar seus sonhos. O início de tudo é bastante conturbado: o nascimento de Amélie (Audrey Tautou), o suicídio de sua mãe em frente a uma igreja, o fetiche de seu pai por um gnomo de jardim e o diagnóstico errado de um problema em seu coração. Essa sua suposta doença a deixa confinada em casa, criando para si uma vida cheia de fantasias. Sem querer, ela acha uma caixa com coisas de Dominique (Maurice Bénichou). Quando encontra o dono desses objetos, Amélie descobre um novo objetivo para sua vida: fazer as pessoas felizes através de pequenos gestos.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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★★★★★


Amélie Poulain sempre viveu em um lar sem afeto, onde a mãe tinha um tique nervoso e o pai só lhe prestava contato físico em exames mensais para saber como andava sua saúde, acontecimento que fazia o coração da menina acelerar de emoção e ao mesmo tempo fazia com que seu pai achasse que ela tinha alguma anomalia cardíaca. Graças a isso, ela sempre foi uma criança solitária, estudava em casa devido a sua fictícia doença e seu único amigo era um peixinho dourado chamado Cachalote, que por não suportar o ambiente familiar tentara se suicidar várias vezes, até que a mãe de Amélie resolve se livrar dele.


Para se livrar do tédio de sua infância a garota inventa um mundo só seu, onde os discos de vinil são feitos iguais a panquecas, e onde a mulher do vizinho que entrou em coma há alguns meses, teria resolvido apenas dormir tudo que precisava dormir de uma única vez, para assim poder passar todas as outras noites de sua vida acordada.

Já adulta e ainda sozinha, a jovem se torna uma garçonete de um pequeno café, e leva uma vida tranquila até que, graças a uma reviravolta, ela se depara com uma pequena lata enferrujada que contém em seu interior, o tesouro de uma criança, objetos cheios de lembranças de um passado agora distante. Amélie então toma uma decisão que afetará todo o rumo de sua história, ela resolve devolver a lata ao seu antigo dono com um objetivo em mente, se este por acaso se emocionasse ao rever seu objeto perdido, ela se dedicaria a trazer alegria à vida das pessoas, caso contrario, traria azar.

E em determinado momento Amélie também terá de lidar com o surgimento de um novo amor, um rapaz da estação de trem que fez com que seu coração disparasse na primeira vez que ela o viu, e que no decorrer do filme só vai fascinar ainda mais a garota, devido a um peculiar gosto por colecionar fotos descartadas de cabines fotográficas, nas quais a imagem de uma pessoa em particular aparece várias vezes em diferentes cabines fotográficas da cidade, gerando assim um mistério sobre sua identidade que intriga tanto Amélie quanto ao rapaz.

O precioso álbum onde o rapaz (chamado Nino) guarda as fotos de sua coleção acaba caindo nas mãos de Amélie, que para chamar sua atenção e também por causa de um pouco de covardia, bola diferentes estratagemas para entregar o álbum ao seu dono sem revelar sua identidade, atiçando ao mesmo tempo a curiosidade do jovem para descobrir quem ela é.

Assim começa “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, filme do diretor Jean-Pierre Jeunet em 2001, tendo recebido ainda cinco indicações ao Oscar. Entre as categorias, concorreu aos prêmios de melhor trilha sonora e melhor roteiro original. Fascinante, adorável e reflexiva, essa comédia romântica desde muito tempo atrás é um de um de meus filmes favoritos devido as suas cenas divertidíssimas, frases marcantes e trilha sonora impecável.
Você não tem ossos de vidro, pode suportar os baques da vida."

Este filme não se resume apenas a comédia ou romance, traz em si uma bela lição de coragem que tanto Amélie quanto vários de seus intrigantes personagens secundários terão de aprender, assim como o pai da própria jovem, a quem ela tenta encorajar a realizar seu sonho de viajar pelo mundo, roubando um velho anão de gesso de seu jardim e fazendo-o circular em grandes cidades do globo junto com uma amiga de Amélie que tira fotos dele e manda para o pai da jovem em nome do pequeno Anão de Jardim.



São tempos difíceis para os sonhadores.”
... e de fracasso em fracasso nos acostumamos a nunca passar de rascunhos. A vida é somente um ensaio interminável de um espetáculo que jamais será representado.”
Uma curiosidade sobre o enredo deste filme, que faz dele ainda mais peculiar e único, é que sempre que nos é apresentado um personagem, é dito o que ele ou ela gosta, mas o que não gostam é dito apenas sobre os personagens importantes, assim com a protagonista ou seus pais. E outra é que ele tem cenas em tons muito forte de vermelho e verde que simbolizam (como o próprio diretor chega a afirmar) uma metáfora que faz alusão às obras do pintor brasileiro Juarez Machado.



 

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