Resenha #46 - Cidades de Papel!




Título: Cidades De Papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca 
Edição: 1 
Ano: 2013 
ISBN: 978-85-8057-374-9 
Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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★★★★

Na minha opinião, todo mundo tem seu milagre. Por exemplo, muito provavelmente eu nunca vou ser atingido por um raio, nem ganhar um prêmio novel. Nem ter um câncer terminal de ouvido. Mas, se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter me casado com a rainha da Inglaterra ou sobrevivido meses à deriva no mar. Mas meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados da Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman”

Numa narrativa engraçada, recheada de filosofias profundas, Green elabora mais uma grande obra de sucesso, onde o central não está nos romances e piadas que acontecem entre os personagens, mas sim em tentar entender um pouco mais sobre o ser humano, através de uma ficção forte e abrasadora.

Quentin Jacobsen, ou apenas Q, é mais um dos nerds impopular criado por John Green. A diferença dele por outros é porque sua casa fica perto de Margo Roth Spiegelman, sua vizinha (e paixão platônica) sedutora.

Desde crianças, os dois são amigos, mas com o decorrer do tempo, para Q, essa amizade parece ter acabado. Ou pelo menos assim pensava, até que Margo aparece na janela, vestida de ninja, durante a noite, e o chama para uma importante missão de vingança que vai colocá-lo a prova. Mal sabe ele que esta atrapalhada e divertida noitada com Margo é apenas a abertura de um evento de alta magnitude, onde ele, e os amigos, passaram a enxergar o mundo de outra forma, com outros olhos, e onde todos serão afetados, por causa de apenas uma pessoa: Margo Roth Spiegelman.

O para sempre é composto de agoras.” – (Cidades de Papel, pag: 351)

Cidades de Papel é maravilhoso e supera O Teorema Katherine em todos os aspectos que você puder imaginar. Diferentemente do último livro publicado pelo autor, este retoma as filosofias e frases de efeito que só John Green tem a genialidade de criar, ressaltando uma busca muito mais profunda do que a que o enredo meramente apresenta. Neste livro, Green esta vasculhando o interior humano e nossa forma de enxergar os outros, fortalecendo ligações com outra obra sua, Quem é Você, Alasca?, não só em personalidade igualitária com os personagens (me lembrei muito da Alasca enquanto lia a história de Margo) como também, no enredo em si, na questão da viagem, para ser mais exato.

A obra vem dividida em três partes. Os Fios, A Relva e O Navio, que aparentemente não apresentam nenhuma pretensão, mas como estamos falando de John Green, logicamente que esses títulos têm grandes influencia no enredo central, então, quando estiver lendo, preste bem atenção nesses pontos. Serão de suma importância para compreender tudo no fim. E isto agrada muito mais o leitor. Nada lhe passa despercebido ou sai perdido. Tudo aqui é aproveitado. O enredo em si é basicamente um relato verdadeiro (como o próprio autor diz na nota final), contendo apenas algumas pequenas alterações.

E se este tipo de coisa não te impressionar, então leia Cidades de Papel pelo simples prazer de dar boas gargalhadas com um trio de nerds altamente pervertidos, com os hormônios a flor da pele, e uma personagem feminina pra lá de maluca. Margo não só é pra mim, a protagonista (a central, apesar de na sinopse e na história em geral, mostrar Q sobre este papel), como também é a personagem mais descontraída e alto-astral que já tive o prazer de conhecer. Quero dizer, geralmente, as histórias de John Green têm um teor um tanto depressivo e reflexivo. Esta também tem, porém, ele demonstra que nem tudo é preto no branco, e que algumas coisas possuem mais de um sentido. O autor não se fixa apenas nos dramas dos personagens, e sempre está ironizando algum acontecimento, seja nos diálogos ou na narração.

Em termos comédia, este livro não tem como falhar. Ele tem a dose perfeita de romance, comédia e reflexão. Além de que, você provavelmente vai sair riscando boa parte do livro (eu não aconselho, por favor), em prol das magníficas frases de efeito que ele utiliza.

Eu sorri. Ela sorriu. Eu acreditei naquele sorriso” – (Cidades de Papel, pag: 53)


Fazer as coisas nunca é tão bom quanto imaginá-la." – (Cidades de Papel, pag: 69)

Então aconselho muito que você conheça a história de Margo Roth Spiegelman. Tenho certeza que ela também vai te cativar e te emocionar, num final duplamente (e compatível com A Culpa é das Estrelas, só que menos trágico) encantador. e Embora o final tenha sido este recheado de emoção, o livro passa por diversas transições. A segunda parte é super parada e o final um tanto quanto ambíguo, o que pode levar o leitor a ter a sensação de que existe algo faltando, ou que o autor realmente ferrou com tudo ali. Com certeza, isto não muda o fato das boas risadas que Cidades de Papel garantem, ou então o romance envolvente pelo qual somos tragados.



2 comentários

  1. Já li várias outras resenhas desse livro e ainda assim continuo mais-que-apaixonada por ele!
    Aliás, foi muito legal da sua parte postar um monte de fotos das páginas do livro, porque assim, fico cada vez mais curiosa para lê-lo!

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  2. É a primeira vez que venho em seu blog e eu simplesmente AMEI a forma como você organiza sua resenha, a estrutura do seu texto é bem interessante, principalmente a ficha técnica.
    Ganhei esse livro do meu namorado e estou loooooouca pra lê-lo! Nunca li nenhum livro do John Green e já estava ansiosa por esse momento. Espero que seja realmente bom haha
    Sou colaboradora de um blog, se quiser dar uma olhada...
    www.diarioumafuturajornalista.blogspot.com.br
    beijoooos

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