Resenha #66 - A Outra Vida!


 
O mundo de Sherry — de uma hora para outra — mudou completamente. Por causa de um vírus muito contagioso, as pessoas que ela costumava conhecer, e quase todas as pessoas de sua cidade, Los Angeles, na Califórnia, se transformaram em mutantes assustadores. Esses mutantes têm uma força excessiva, são ágeis, o corpo é coberto de pelos, eles lacrimejam um líquido imundo e... comem gente! Portanto, não há muito o que fazer — talvez tentar fugir — quando se encontra algum deles. A não ser que você tenha ao seu lado a força e a determinação de um jovem como Joshua. Joshua perdeu uma irmã para os mutantes e sua raiva é tão grande que ele seria capaz de vingar todos aqueles que perderam alguém para as criaturas. No entanto, para que esta revanche aconteça, é preciso prudência. Afinal, até que ponto a disseminação deste vírus foi uma coisa realmente natural? Que poderosos interesses estão por trás desta devastação? E será que Joshua e Sherry conseguirão ter a cautela necessária para lutar contra as criaturas justo agora que seus corações estão agitados pelo começo de uma paixão?


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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★★★★


Um livro com um teor enorme de The Walking Dead e um Q bem sutil de A Hospedeira, misturando um universo pré-apocalipse com uma jornada cheia de tensão e clímax de fazerem o leitor perder o fôlego.

Sherry e sua família viveram por muito tempo trancados num abrigo, tentando se proteger dos perigos que o mundo criou. Mas agora que tudo se silenciou e não se ouve falar mais da raiva, seu pai e ela necessitam se arriscar por esta terra completamente devastada em busca de encontrar comida para sobreviverem. Só que reviravoltas na viagem podem levar Sherry a ficar frente a frente com o perigo e o preço pode ser a vida de seu pai. Os humanos já não são mais os mesmo e agora se tornaram mutantes canibais. Mas até onde essa transformação toda pode ser natural? Quais segredos implicam por trás de toda essa trama apocalíptica? Sherry, juntamente ao vingativo Joshua vão encarar os riscos deste novo universo em busca de seu maior objetivo: sobreviver!

"Mil cento e quarenta e um dias desejando o silencio. E agora que finalmente o tinha, não o suportava." - (A Outra Vida, pag 46)  

"Detestava me sentir frágil, detestava me desesperar." - (A Outra Vida, pag: 185)

O que posso dizer desse livro? Que Susanna Winnacker fez por merecer a chamativa sinopse que a Editora Novo Conceito elaborou? Ou que a obra é realmente tudo isto que você espera e um pouco mais? A Outra Vida é o típico livro que testa seus nervos e prova que a momentos que todos podem vacilar. Os capítulos não só estão repletos de uma tensão que se prolonga por toda a narrativa, como também oscila entre o suspense e o terror, trazendo para o enredo as criaturas mais apavorantes do mundo fantasmático: os zumbis. Na visão da autora, também conhecidos como Chorões, humanos que foram infectados com uma espécie de raiva animal, gerando sintomas como agressividade, perda da consciência e canibalismo. Acredito que estes três tópicos já mostrem bem como vai ser o desenrolar aqui não é? Winnacker tem uma escrita excelente, de fácil leitura e muito sucinta nas palavras. Além disso, sua história prende o leitor, principalmente nos momentos de tensão (que recheiam basicamente toda a obra).

Sherry é uma personagem altamente feminina, com um toque mais forte. Diferentemente das atuais heroínas, ela não é uma guerreira, contudo, aprende a ser e a superar seus medos, para resgatar seu pai. Isto foi um traço que gostei muito dela, e em diversos momentos da trama achei ela semelhantemente parecida com nossa Mel, de A Hospedeira (Stephenie Meyer), principalmente quando ela parte em sua busca por sobrevivência.

O enredo todo se foca no ficcional, baseando-se na jornada atordoante dos personagens de sobreviverem nessa terra de canibais. Contudo, temos espaço também para romance e comédia, pois a autora faz várias separações entre as duas vidas da protagonista. Por um lado temos um capítulo fechado na atual vivencia de Sherry e sua família depois da raiva, onde tudo é perigoso e onde ela aparece mais madura; e por outros, temos uma Sherry mais adolescente, indo à escola, se interessando por garotos e discutindo futilidades da vida. Claro que isto não afeta a história em nada. Esse jogo de presente e passado, na realidade, foi um dos pontos que mais gostei na narrativa, porque ao mesmo tempo em que você conhece a personagem e se apega por ela, você também vai conhecendo sua história, e a própria Sherry vai se tornando mais vívida em sua mente. Então se tem algo que preciso dizer é que Winnacker conseguiu superar minhas expectativas e apesar do livro não fazer meu estilo, realmente me cativou e aguardo ansiosamente pelo próximo volume (sim, pelo jeito teremos sim uma continuação).



 

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