Resenha #142 - Will&Will: Um Nome, Um Destino!



Ficha Técnica
Título: Will & Will
Subtítulo: Um Nome, Um Destino
Autor: David Lavithan, John Green
Editora: Galera Record
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 352 páginas
ISBN: 978-85-0109-388-2
Peso: 380g
Dimensões: 210mm x 140mm
 Sinopse
Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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A verdade, porém? Todo mundo tem uma. Essa é nossa maldição e nossa benção. Essa é nossa tentativa e nossos erros e nossa coisa certa.

Fofo, irreverente e meio poético, Will&Will, um Nome, um Destino, é uma ótima pedida de diversão e risadas para o fim de semana.

Will Grayson é um garoto meio recolhido, excluído e que procura sempre se isolar de todos. Em seu interior esconde o medo de assumir o que realmente é: homossexual, temendo ser renegado pelos poucos “amigos” que tem ou pela mãe que tanto tenta ignorar. Seu mundo está sempre preto no branco, menos nos poucos momentos que se senta no computador para conversar com seu amor internauta, Issac. E depois de tanto tempo, sentindo que ele é realmente aquilo que quer, está na hora de conhecê-lo pessoalmente, mas quais consequências essa escolha acarretará?

Se quer que as coisas mudem, não precisa trocar de vida. Você precisa tirar a bunda da cadeira.

Tenho a sensação de que minha vida está muito dispersa neste momento, como se fosse um monte de pedacinhos de papel e alguém ligasse o ventilador.

Quando as coisas se quebram, não é ato de quebrar em si que impede que elas se refaçam. É porque um pedacinho se perde – as duas bordas que restam não se encaixam, mesmo que queiram. A forma inteira mudou.

Will Grayson é o garoto mais tímido da escola, mas seu melhor amigo, Tiny Copper, é o gay mais “purpurina” que se pode imaginar. Enquanto ele, demonstrar insegurança em suas escolhas do futuro e em relação a relacionamentos, seu amigo é totalmente oposto, alto astral e não se deixa abalar pela opinião alheia. Mas Will pode ser arrebatado de sua pequena bolha de silêncio quando em um golpe nada indireto, Tiny o atira sobre Jane, garota legal da qual Will parece iniciar a nutrição de certa paixão. Mas até onde esse relacionamento não afetaria sua vida? Quais decisões deve tomar?

Numa noite improvável, num local ainda mais improvável ainda, Will Grayson e Will Grayson cruzam-se, num choque de realidades que pode transformar não apenas um dia, mas todo um destino.

David Levithan e John Green conseguem ser geniais de uma forma que o leitor é embargado por sua história, ao mesmo tempo tocante e tão naturalmente real. Esses dois autores, famosos pelas profundas sacadas que possuem suas obras, unem-se numa combinação perfeita que junta assuntos polêmicos e atuais para elaborar um enredo envolvente e super divertido, com personagens cômicos e ironicamente opostos. Não só temos uma interação perfeita entre os autores, de forma que os personagens parecem terem sido criados pelos dois, como a narrativa em si não perde o foco em um só instante, mantendo sempre a mesma regularidade.

Por outro lado, meu ponto mais positivo vai para a narrativa de John Green, que continuou leve e engraçada, e não muito cansativa, diferente da de Levithan que julguei ter detalhes que desnecessários. Mas não apenas isto me fez por desmerecê-la. Na realidade, o grande número de palavrões também me chateou muito. Consigo compreender que os autores tentam igualar a linguagem adolescente, mas não só adepto a este tipo de escrita. Achei que a narrativa de Levithan ficou muito mais vulgarizada e repetitiva do que a de Green, observando-se também que seu personagem, Will, não é dos mais engraçados, e apesar das sacadas irônicas que vira e mexe ele dava, não foi um ápice da leitura para mim, tanto a história em si, que ficou meio dramática e ao mesmo tempo tediosa, como também pelo palavreado, que achei de muito baixo escalão. Além de que, o final da obra, também me deixou a desejar. Achei que Green preparou um campo extraordinário para Levithan finalizar, mas seu final, não foi um cheque mate de deixar queixo caído. Emocionante? Sim, mas não surpreendente. Até meio previsível, e muito enrolado, para algo que o leitor provavelmente já vai sacar antes do capítulo começar. Acredito que poderiam ter sintetizado mais e elaborado um final não tão aberto quanto o que teve, apesar, claro, das opiniões divergirem. Algumas resenhas que vi, disseram totalmente o contrário. Mas mesmo assim, com todos esses pontos que considerei negativos, ainda é um livro tocante, com um tema bastante relevante, que é o homossexualismo, de forma que os autores aproveitaram excelentemente bem o tema selecionado. Vale sim, a pena conhecer as divertidas aventuras de Tiny Copper e seus Wills.

Toda manhã quando acordo, tenho de me convencer que, sim, no fim do dia, serei capaz de fazer algo de bom.


Admito que existe um certo grau de se importar em não se importar. Ao dizer que você não se importa se o mundo desmorona, está dizendo que quer que ele se mantenha de pé, nas suas condições.



David Levithan (nascido em 07 de setembro de 1972, Short Hills, New Jersey) é um editor de ficção gay jovem americano adulto e autor premiado. Ele teve seu primeiro livro, Boy Meets Boy, publicado em 2003. Ele tem escrito inúmeras obras com personagens gays do sexo masculino, principalmente Boy Meets Boy e Nick and Norah's Infinite Playlist. Aos 19 anos, Levithan recebeu um estágio na Scholastic Corporation, onde começou a trabalhar na série The Baby-sitters Club. Dezessete anos depois, Levithan ainda está trabalhando para Scholastic como diretor editorial. Levithan é também o editor-fundador do PUSH, uma marca jovem-adulto da Scholastic Press enfocando novas vozes e novos autores.





John Green cresceu em Orlando, Flórida, a uma pequena distância da Disney World. Se mudou para Ohio para cursar a universidade, onde estudou Inglês e Religião. Por vários meses após se graduar, John trabalhou como capelão em um hospital infantil. Enquanto estava lá, teve a inspiração para escrever seu primeiro romance, Quem é você, Alasca?, que se tornou um bestseller nos Estados Unidos e ganhou muitos prêmios literários, como o Michael L. Printz Award nos EUA e o Silver Inky Award na Austrália. O segundo romance de John, An Abundance of Katherines, foi publicado em 2006 e se tornou finalista do Los Angeles Times Book Prize e também nomeado livro de honra do Michael L. Printz. Paper Towns, publicado nos EUA em 2008, estreou em quinto lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e ganhou o Edgar Allan Poe Award pelo melhor romance de mistério. Em 2009, Paper Towns foi eleito em primeiro lugar por mais de 11 mil leitores no Top 10 dos Adolescentes da American Library Association.
No seu tempo livre, John é um grande fã do Campeonato Inglês de Futebol, mas ele não fala para que time torce, porque não quer alienar possíveis leitores. Ele admite, entretanto, ficar arrepiado toda vez que ouve: "You'll Never Walk Alone" (Você nunca andará sozinho).


Um comentário

  1. Oi David, tudo bem?

    Todas as resenhas que li também concordavam com você: A narrativa do Green foi muito melhor que a do David. Mas tudo é questão de percepção, né? Acho esse livro muito interessante, com uma temática polêmica. Eu pretendo ler em breve.
    Sua resenha ficou incrível e instigante! Parabéns :)

    Beijos,
    http://www.estantedasfadas.com.br/

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