Resenha #152 - Fahrenheit 451!



Ficha Técnica
Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Editora: Biblioteca Azul
Edição: 1
Ano: 2012
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 216 páginas
ISBN: 978-85-2505-224-7
 Sinopse
Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, Fahrenheit 451, de Ray Bradubury, revolucionou a literatura com um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. Agora, o título de Bradbury, que morreu recentemente, em 6 de junho de 2012, ganhou nova edição pela Biblioteca Azul, selo de alta literatura e clássicos da Globo Livros, e atualização para a nova ortografia.
A singularidade da obra de Bradbury, se comparada a outras distopias, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou 1984, de George Orwell, é perceber uma forma muito mais sutil de totalitarismo, uma que não se liga somente aos regimes que tomaram conta da Europa em meados do século passado. Trata-se da "indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético - a moral do senso comum", segundo as palavras do jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da obra. Graças a esta percepção, Fahrenheit 451 continua uma narrativa atual, alvo de estudos e reflexões constantes.
O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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A temperatura a que um livro se inflama e consome...

Publicado pela primeira vez em 1953, a obra é um romance distópico de ficção científica escrita por Ray Bradbury, durante a época da Guerra Fria. Através de suas palavras, ele descreve um mundo onde os livros são proibidos e toda fonte de pensamento crítico é suprimida. Nesta sociedade aqueles que ousam ter uma opinião própria são tidos como antissociais, e até mesmo o ato de dirigir a uma velocidade segura, se torna motivo para represálias policiais, em contrapartida, é comum nesta sociedade, caçar animais indefesos pelo simples prazer de machuca-los e vê-los sofrer, além de chocar-se contra eles em seus carros, e por vezes, fazê-lo contra outras pessoas como forma de divertimento.


A realidade que nos é apresentada um homem pode ser preso pelo simples ato de possuir um livro, e o destino reservado para o objeto de conhecimento é ser completamente queimado junto de todos os exemplares encontrados na residência do possuidor, a esta vil missão são incumbidos homens denominados “bombeiros”.

É através da perspectiva de Guy Montag, um bombeiro (queimador de livros), em um panorama de guerra iminente, que vivenciamos a história. Algo neste homem o diferencia dos outros. Não é capaz de simplesmente aceitar sua profissão, em segredo, ele mesmo resgata algumas obras dos incêndios que provoca e sai em busca de pessoas capazes de compreendê-lo. Ele as encontra em forma de refugiados, diplomados de diversas universidades que compartilham do pensamento de Montag, e revivem a prática da memorização das obras (tal qual os primórdios da literatura portuguesa) para no futuro, transcrevê-las novamente. Um dos personagens mais excepcionais da narrativa é o líder deste grupo de refugiados, um homem chamado Ganger, que discursa sobre a legendária ave Fênix, que renasce infinitamente de suas próprias cinzas, e a este animal ele compara a humanidade e sua capacidade de sempre reerguer-se, porém cometendo os mesmos erros de outrora.

Logo explode a guerra, e com ela, a sociedade em que Montag havia crescido entra em colapso, assim como tantas outras. Entre os sobreviventes desta matança se encontram os refugiados diplomados, e o final da obra soa otimista, tal qual a metáfora de Ganger: uma nova sociedade começa a se erguer de suas próprias cinzas, com um futuro incerto, porém, claramente mais positivo.

A crítica feita pelo autor Ray Bradbury fica muito clara quando a colocamos em perspectiva com o contexto em que foi escrita. Um sistema manipulador o suficiente para incutir em uma sociedade a inversão de valores, e até mesmo o desprezo pelo conhecimento. O favorecimento da violência como forma de divertimento. Algo que foi escrito em meados da Guerra Fria e que se apresenta em pleno século XXI de maneira tão atual, que é a automatização e alienação do homem através de sua dessensibilização e desintelectualização. O ser humano passa a ser apenas uma peça em um jogo que já se encontra muito além de sua compreensão. Fato que ocorreu a cores vivas no passado e que se repete continuamente nos dias de hoje.

Mais do que uma simples obra ficcional, Fahrenheit 451 instiga seus leitores a repensarem sua situação na sociedade, se colocando no lugar do personagem Guy Montag e fazendo-os questionar se a verdade que conhecemos é de fato, verdadeira, ou se é apenas uma atuação de um sistema maior que os quer como peças de xadrez sem jamais conhecer as regras do jogo.




Ray Douglas Bradbury (Waukegan, 22 de agosto de 1920 — Los Angeles, 6 de junho de 2012) foi um escritor de contos de ficção-científica norte-americano de ascendência sueca. Foi o terceiro filho de Leonard e Esther Bradbury. Por causa do trabalho de seu pai (era técnico em instalação de linhas telefônicas), viajou por muitas cidades dos Estados Unidos, até que em 1934 sua família fixou residência em Los Angeles, Califórnia. Morreu aos 91 anos , de causas não divulgadas.






9 comentários

  1. Meu professor de português já falou bem desse livro inúmeras vezes. Tenho muita muita vontade de lê-lo, assim como outras distopias semelhantes. E sem contar que a capa desse livro é linda e deve ficar ainda mais bonita na minha estante hehe.

    Leitores Forever

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  2. Oiee ^^
    Acho que já tinha visto a capa desse livro, mas não o conhecia. Fiquei bastante interessada nele, inclusive já anotei o nome na listinha de desejados. Gosto de livros que se passam nas guerras...
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  3. Nunca tinha ouvido falar desse livro antes,mas achei bem interessante a critica que o autor faz a nossa sociedade, eu geralmente fico curiosa para ler livros assim, e se você gostou tanto quem sabe eu não gosste tbm?
    www.muchdreamer.blogspot.com.br

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  4. Olá!

    Excelente resenha!!!
    Estou com esse livro aqui, pretendo ler agora no fim do ano, ou mais tardar meiados de janeiro, já que ele faz parte dos livros que eu escolhi para a maratona de verão. :)
    Só ouço/leio coisas boas a respeito, vai ser a minha primeira experiência com a escrita do auto e estou bastante animado.

    Gabriel - http://umpapoentrepaginas.blogspot.com.br/

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  5. Oi, Lena!
    Sua resenha para esse livro está incrível! Parabéns. Senti em sua crítica o peso da reflexão pessoal e isso me agradou. Acho que quando um livro é assim, com tal proposta, poucos são os leitores que realmente apreciam. O autor tem uma proposta clara e reconheço que não é uma obra para mero entretenimento. Estou e sempre estive ansiosa para ler esse livro e tantos outros considerados clássicos. :) Sua resenha apenas me faz crer que estou certa em manter essa ansiedade, haha.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  6. Ola Lena o tema do livro é bem interessante, não conhecia o livro, essa repressão e complicada , adoreia a forma que você expressou sua opinião. No momento mesmo com toda mensagem do livro vou deixar passar a leitura. Quem sabe em outro momento. beijos

    Joyce

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  7. Olha só... Já tinha ouvido falar do livro, mas não tinha nem ideia do que se tratava! Adorei, já tá na minha minha listinha de livro.

    xoxo!
    http://livrosseriesecitacoes.blogspot.com

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  8. Olá!
    Já tinha ouvido falar sobre o livro, mas não sabia exatamente do que se tratava. Como fã de distopias confesso que fiquei bastante interessada.
    Excelente resenha! Muito bem argumentada, deu para perceber o quanto a leitura lhe agradou e o quanto o fez refletir.
    Beijos

    Li
    literalizandosonhos.blogspot.com.br

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  9. Olá!
    Eu não curti muito a história acho que por ter um tema histórico me desanima um pouco. Eu admiro quem gosta de livros com essa temática. Mas quando pego um pra ler logo me dá sono. A sua resenha está muito boa.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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