Resenha #153 - O Teste!



Ficha Técnica
Coleção: O Teste
Título: O Teste
Autor: Joelle Charbonneau
Editora: Única
Edição: 1
Ano: 2014
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 320 páginas
ISBN: 978-85-6702-823-1
Peso: 350g
Dimensões: 210mm x 140mm
 Sinopse
No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção. Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam. Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?


**********************************************************************
AVALIAÇÃO PESSOAL
**********************************************************************



É POR ISSO QUE EU AMO DISTOPIA!

“Desistir seria como admitir que nada importou
Uma pitada de Jogos Vorazes aqui; um pingo de Divergente ali; um pouquinho de Maze Runner aculá, e temos a fórmula certa para uma distopia instigante e totalmente inovadora, não com enredo repetido, pelo contrário, O Teste trás toda uma nova visão, e mesmo mostrando algumas referencias bem parecidas as obras citadas acima, Charbonneau tem sua própria maneira de narrar, numa escrita que prende o leitor do primeiro ao último capítulo.

Malencia Vale sempre sonhou em cursar a universidade. Viver em uma das colônias mais afetada pela destruição após os sete estágios de uma guerra nuclear que modificou o mundo, não lhe atrapalhou um só instante, e sempre lhe reforçou a ideia de querer lutar por este sonho. Entretanto, até onde todo esse sonho pode acabar não virando um pesadelo? A notícia que deveria alegrar sua família, e tornar seu sonho mais próximo, acaba soando como um imenso balde de água fria. Seu pai participou do Teste, mas teme pelos filhos, e quando conta a Cia uma provavelmente experiência que viveu, o aviso que fica é: não confie em ninguém; nem nos inimigos e menos ainda nos amigos.

“As coisas nem sempre acontecem como a gente espera.

Despreparada e abalada emocionalmente por ter de deixar (talvez para sempre) sua família, Cia parte junto a um grupo seletamente escolhido de sua colônia para participar do Teste, prova que garantirá seu ingresso na universidade. Mas as provas que lhe aguardam estão muito além do que ela podia imaginar, e sensos de justiça e ética humana podem começar a ser questionado. Até onde, esse governo, aparentemente bem estrutura, é tão perfeito assim? Quanto vale para construir um mundo melhor?



A narrativa de Charbonneau é sedutora, totalmente asfixiante e o leitor provavelmente só largará o livro após terminá-lo, desejando por mais. As críticas que ilustram a capa refletem bem a perfeita construção que autora deu a um universo aparentemente inspirado em outras obras de prestígio. O que torna O Teste um livro único é a desenvoltura desses eventos, que de semelhante a outro livro, nada tem. O leitor, em seus primeiros passos é apresentado a um conjunto de personagens super bem trabalhados e descritos, que em momento algum se tornam chatos ou tediosos, mas pelo contrário, cativam você mais e mais a cada página, até mesmo aqueles que não possuem grande participação.

O enredo, construído sobre as diversas críticas sociais e ambientais, remonta um futuro muito mais “provável” que outras distopias mais conhecidas, além de trazer o forte elemento feminista para a narrativa. Se você temeu em ler, com medo de que Cia fosse uma pobre mocinha indefesa (tipo Katniss em A Esperança, na primeira parte do livro), repensem seus preceitos! Cia entra para a lista de personagens femininas mais forte e determinada que já tive o prazer de conhecer, reforçando a ideia de que histórias são super bem construídas quando as mulheres também ganham voz. O diferencial dela está em sua maneira de não reclamar da situação. Em diversos momentos da narrativa, ela se vê chocada pelas escolhas que precisa fazer, mas diferente do que você possa imaginar, Cia não questiona, agindo sempre racionalmente e seguindo seus extintos. Inteligente, especial e totalmente cativante, apresento-lhes uma protagonista que marcou meu 2014 com uma ótima história.

“Os maiores fracassos em geral vem antes das maiores descobertas.

Os garotos também não ficam para trás. Como mencionei, Joelle soube construir super bem seus personagens. O amigo de Cia, Tomas é um ótimo exemplo. Além de divertido, o personagem se mostra misterioso, envolvendo-se muito mais com a trama do que a própria Cia, e apesar da pegada infanto-juvenil da obra, certos momentos ganham uma maior diferenciação, especificamente, o momento do quarto teste.

A narrativa em primeira pessoa ganha mais vida conforme Cia descreve os acontecimentos a sua volta, de forma que o leitor sofre e se agonia ao lado dela. A trama não tem tempo para os velhos e clichês triângulos amorosos. Até os beijos que rolam são meio sem vida, devido a enorme situação e o que a história central quer realmente relatar. O diferencial de Cia das outras garotas distópicas está no fato dela não recuar a batalha, ou de não querer está ali. Pelo contrário, em diversos momentos prova-se totalmente o oposto, onde ela anseia saber mais. Sua maior qualidade e talvez também seu pior defeito seja a curiosidade.

Em uma passagem de vista superficial, o enredo pode retomar bastante Jogos Vorazes, mas o foco da narrativa crítica está longe disto. Enquanto Suzanne Collins discute as disputas políticas e o poder opressivo de um capital tirano, O Teste elabora um intrincado de acontecimentos, grande parte deles naturais, onde em diversos pontos a batalha não é contra a humanidade em si, mas com a natureza. O foco marcante está na briga natural do homem com o ambiente em sua volta, contradizendo ou reforçando teorias filosóficas sobre a centralidade desse ser em vista da imensidão que lhe cerca.

A edição da obra também não fica para trás. Dotada de uma capa totalmente sedutora, a ilustração em seu centro apresenta grande significado para quem se aventurar por estas páginas, levando em consideração também que a capa em si já trás algumas surpresinhas. Se você já viu a capa, deve ter percebido que ela é meio holográfica. Não? Então, assim que saltar próximo a uma livraria, dê uma olhada, passe na claridade e você verá números surgirem conforme a luz a toca. A Editora Única não só forneceu uma edição impecável, bem revisada e bem marcada em sua divisão, como também elaborou uma capa perfeita e super chamativa. Uma coisa é certa: após a leitura do primeiro volume, você provavelmente não vai querer não ler os próximos!





Escritora de coração, Joelle já produziu e estrelou diversas operas e musicais na região de Chicago antes de se tornar uma escritora em tempo integral. Além de adorar dar aulas de canto. Estreou na literatura com a série Rebecca Robins, mas ganhou o mundo com a trilogia distópica Teste.






2 comentários

  1. Olha acredite se quiser, mas até hoje eu não li nenhuma dessas distopias famosas que fizeram a cabeça de todos. O único que cheguei a ler foi THE 100 que aliás assisti a série e depois li o livro. Simplesmente adorei e estou doida pela continuação do livro.

    Agora quanto ao TESTE, eu também o tenho na minha estante, mas eu ainda não o li, porque quero completar a minha coleção. Gosto de ter toda série na estante para poder ler tudo de uma vez só, porque odeio ficar curiosa (Risos)

    Mas tipo, depois que terminei de ler sua resenha, acabei ficando bastante curiosa com a história, até porque ainda não li os outros e acho que pra mim vai ser novidade. Mas para quem já leu não vai ser muito diferente, até porque como disse, tem uma pitada de cada um dos livros ai que já foram lançados e acho que isso já tá ficando algo meio batido né?

    Mas enfim...Eu espero gostar de todos os livros assim que for ler.
    O problema é que eu não sei por onde começar rs
    Qual série vc me indicaria para ler primeiro assim de distopia?

    lovereadmybooks.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Sil
      Olha, eu tenho um monte sabe, tipo, pq adoro distopia. É meu gênero favorito na realidade (acho que você percebeu isso na minha resenha). Pra um primeiro contato, acho que Jogos Vorazes é a melhor pedida, mas tem Sombra e Ossos da Editora Gutenberg tambem, caso queira fugir das modinhas. É uma otima trilogia. Sairam dois livros ate o momento e o proximo e ultimo (T.T) sai ano que vem. Agora tem O Teste, é uma otima pedida pra quem não leu nada. Provavelmente ce vai adorar.

      Abraços
      David Andrade
      http://www.olimpicoliterario.com/

      Excluir

Expresse-se