Resenha #178 - O Jogo Infinito (A Doutrina da Morte Vol 1)!



Ficha Técnica
Coleção: A Doutrina da Morte
Título: O Jogo Infinito
Autor: James Dashner
Editora: Vergara & Riba
Edição: 1
Ano: 2014
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 296 páginas
ISBN: 978-85-7683-689-6
 Sinopse
Michael é um habilidoso gamer. E como a maioria dos gamers, ele passa mais tempo na VirtNet do que no mundo real, imerso de corpo e alma numa realidade virtual completamente viciante. Graças a tecnologia, qualquer pessoa pode experimentar universos fantásticos, colocar a própria vida em risco sem sofrer sequer um arranhão, ou apenas fazer novos amigos. Para um hacker essa experiência pode ser ainda mais divertida. Quem se preocuparia com as leis e os códigos de conduta de uma realidade construída? Afinal, tudo não passa de um jogo. Um jogador está indo muito além de onde qualquer outro jamais se atreveu a ir - fazendo gamers seus reféns dentro da VirtNet. Todos eles são declarados mortos. No entanto, as razões permanecem um mistério. O governador sabe que para pegar um hacker, é preciso de um outro hacker. E procura Michael para integrar a equipe oficial. O risco é enorme. Se Michael aceitar o desafio, será preciso sair da VirtNet, pois o sistema está cheio de armadilhas e predadores que ele é incapaz de imaginar. E assim, o emaranhado entre as linhas que separam o jogo da realidade poderá nunca mais se desfazer.
Cortesia V&R Editoras


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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O mundo é virtual. Mas o perigo é real
Em O Jogo Infinito, diferente do que se possa esperar, Dashner aventura seu leitor em uma trama perigosa, com gostinho de thriller psicológico e romance policial, sem deixar de encantar e inovar nos cenários distópicos.


Michael é um excelente jogador. Desde cedo, recluso pelos pais e pelos poucos amigos que tem, se aventurou pelos mundos virtuais, onde construiu sua verdadeira existência. Ao lado de dois companheiros, viveu mais aventuras em poucas horas do em toda a sua adolescência, passando assim a basicamente morar no jogo. Quando em uma simples missão para acumular pontos, se vê frente a frente com uma garota que deseja se suicidar, seu universo se transforma. A morte da garota não acontece apenas no jogo, mas na realidade. Um perigoso hacker está ameaçando seu universo e sua existência. Pouco se sabe sobre ele, mas pouco a pouco, sua fama e tirania têm aniquilado mais e mais jogadores. Kaine, um estrategista potencialmente astuto está elaborando uma perigosa armadilha para tomar o universo virtual, mas não apenas ele, como também se apropriar de todos os jogadores. Depende de Michael e seus amigos descobrirem os planos do hacker, provando ser melhor que ele, em uma competição onde a aposta é sua própria vida.

A construção realística de James Dashner em mais um novo recomeço está sublime. O livro que aparentemente parece bem previsível surpreende o leitor em cada página que ultrapassamos. Com uma escrita muito melhor e mais enxuta, o autor não se alonga em dramas desnecessário, dando foco à missão principal de seus personagens e a trama no geral. Embora esse livro não tenha tantas críticas ou temáticas bem mais polêmicas como acontece na série Maze Runner, A Doutrina da Morte abordar a violência virtual com uma visão realística, que se analisada ou pelo menos vista com mais calma, não custa a escapar de nossa atual sociedade. O assunto é tratado com toda a crueldade que esse tipo de ato pode gerar em uma pessoa, focando especificamente nos traumas psicológicos ou em efeitos que remetam alguma sequela cerebral. O foco de Dashner foi inspirar-se em uma sociedade futurísticas (pós guerra), onde a tecnologia está inteiramente ligada aos seres humanos; e ligada no sentido literal da palavra. As pessoas possuem chips e entradas neurais para acoplar em computadores, tanto para jogar, como é o caso de Michael, como para viver cotidianamente. Mas o mais surpreendente é que o enredo se fecha inteiramente ao universo virtual, como se o real fosse lá e o virtual o aqui. Essa é sem dúvida uma das melhores contradições da obra, quando visualizamos que as experiências vividas por Michael são muito mais vívidas e verdadeiras no mundo virtual do que na sua própria “realidade”.

A escrita de Dashner também evoluiu 100% pra mim. Como citei acima, descrições mais sucintas e narrativa mais segura, me senti preso pela trama do início a fim, de forma que o autor não ficou se prendendo aos dramas bobos de cada personagem. Pelo contrário, Michael foi um protagonista que realmente me cativou, não só pelas qualidades semelhantes com a minha personalidade, mas pela fidelidade que apresenta aos amigos virtuais, que ao menos conhece pessoalmente. O laço entre eles é um ponto realmente admirável, e o autor trabalhou excelentemente bem este ponto sobre relacionamentos a distancia, de forma a deixar bem claro que fronteiras não são intransponíveis. O trio em si me recordou muito os bruxos mais amado do mundo. As características de todos batem muito com as dos personagens de Rowling, e talvez eles tenham sido realmente inspirados neles. Vale ressaltar claro, que não é uma cópia. Os personagens de Dashner possuem suas peculiaridades independentes e propriamente chamativas. Michael com certeza foi um narrador encantador, diferentemente de Thomas, que passou boa parte do primeiro livro reclamando ou chorando (me odeiem agora por eu não gostar do protagonista de Maze Runner). A pegada hi-tec, meio voltado ao universo geek (games), também me recordou bastante de Insígnia, outra distopia publicada pela editora (Resenha Aqui). As temáticas são bem parecidas, ou pelo menos, esta questão da ligação humana com a tecnologia. Suas diferenças surgem no universo em si, quando Dashner foca bem mais o racional humano e seus sentimentos, do que na questão distópica em si.



Em uma reviravolta totalmente inesperada, contando com uma edição perfeitamente linda e deslumbrante, O Jogo Infinito é uma ótima pedida de leitura. Em especial, para os nossos leitores otakus, a trama recorda bastante o enredo retratado no anime Sword Art Online. Com certeza é um livro imperdível para quem gosta de ação, distopia, aventura, amizade e tecnologia. 



James Dashner nasceu na Georgia nos Estados Unidos e mora atualmente em Utah também é autor da serie The 13th Reality. Ainda não acredita que ganha por fazer o que mais gosta: escrever.









8 comentários

  1. Que trama diferente.
    Pode ser interessante ler algo da qual não estou habituada. Ainda mais com uma resenha super positiva como essa. Fiquei curiosa.

    Café com Letras

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  2. Olá!!

    Eu não li esse livro, mas tinha visto em algumas divulgações.
    Gostei da sua resenha, bem detalhada. Infelizmente esse não é meu estilo de livro favorito sabe?
    Mas gostei de saber que o autor soube surpreender com algumas reviravoltas.
    Gostei de ver as ligações que você colocou por aqui entre outros personagens, achei bem legal.


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  3. Oi David, tudo bem??
    Bom eu tenho muita vontade de ler esse livro.. ele está na minha lista já faz um tempinho.. eu gostei da premissa da história e o enredo que chama bastante atenção para quem gosta de uma distopia tecnológica como eu... não vou dizer que sou Expert no assunto, mas eu adoro essa temática e essa junção das coisas.. geralmente não curto jogos, mas me senti bem tentada neste... adorei a forma como levou a resenha, você consegue chegar no leitor... xero!!

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  4. Cara, nem sabia que a editora tinha tanta distopia. Não li nenhuma, mas em se tratando deste gênero eu já quero sem nem saber do que se trata. rs Essa temática envolvendo games não é muito minha praia, não entendo, não jogo, mas nem por isso deixo de ficar curiosa.
    E em relação à inspiração em Rowling, acho que é natural a gente naturalmente passar através das nossas palavras aquilo que nos toca e marca.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  5. Oie, David! Tudo certo?
    A Doutrina da Morte ne atraiu muito mais do que Maze Runner. Talvez pelo aspecto da tecnologia, sabe? A proposta de Maze é legal, mas não me convenceu. Já essa de O Jogo Infinito, pelo menos pra mim, é mais inovador, de certa forma. E você citou Insígnia, com certeza vou atrás, porque se Doutrina me interessou, esse não deve ser diferente.
    Com carinho,
    Celly.

    http://melivrandoblog.blogspot.com/

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  6. Oie,

    Eu tenho muita vontade de ler Maze Runner, ainda não assisti ao filme, mas morro de curiosidade pra assistir também, esse novo livro do autor ne chamou bastante atenção, eu gosto de temas diferentes nas minhas leituras, e saber que a escrita do autor está muito melhor nesse livro me chamou ainda mais atenção.

    Mayla

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  7. Ola DAVID eu adoro vídeo game jogos, mas confesso que a premissa desse livro não me conquistou, gostei muito da capa , mas não me atraiu a ponto de ler essa distopia. Pode ser o momento. Fico feliz que tenha gostado da leitura. abraços

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  8. Não sabia que essa distopia tinha um toque de thriller psicológico e romance policial, gostei disso! Que bom que a narrativa te prendeu e que o Michael te cativou, isso pra mim é essencial. É muito bom quando a gente percebe evolução na escrita de um autor! Eu estou amando a série Maze Runner, e já tenho esse livro aqui, estou curiosa para saber se vai me conquistar tanto quanto te conquistou!

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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