Resenha #172 - O Presente do Meu Grande Amor!



Ficha Técnica
Título: O Presente do Meu Grande Amor
Subtítulo: Doze Histórias de Natal
Organização: Stephanie Perkins
Editora: Intrínseca
Edição: 1
Ano: 2014
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 352 páginas
ISBN: 978-85-8057-625-2
 Sinopse
Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve — presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite —, vai se apaixonar por O presente do meu grande amor. Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa que você comemore o Natal, o ano-novo, o Chanucá ou o solstício de inverno.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Intrínseca trás aos seus leitores uma coletânea fofa e tocante sobre contos natalinos. Sobre o título de O Presente do Meu Grande Amor, o livro reúne grandes nomes da literatura estrangeira contemporânea para alegrar e apaixonar o natal dos leitores. Com temáticas variadas o livro é uma ótima pedida. Narrativas diferenciadas, com seus próprios personagens, recheado de personalidade. Mas apesar disso, a obra se torna longa quando o conto de alguns autores adquirem mais espaço que o necessário. E como para cada autor, temos uma reação, vou ser breve e falar de todos separadamente. Espero que tenham paciência de aguentar minha maior resenha, mas são 12 contos e não encontrei uma maneira de tratá-los separadamente.Ou eu gostei muito, ou detestei demais.

A edição do livro está impecável. Com uma capa linda, retratando os casais dos contos, Intrínseca ganha os leitores só com a diagramação.


Meias-Noites
 

Tudo estava igual, e tudo estava diferente”

Rainbow Rowell nos presenteia com um conto fofo, recheado de emoção e um clima natalino especialmente apaixonante. Na história, somos apresentados a Mags e Noel, uma amizade que surgiu de uma situação inusitada, em plenas vésperas de ano novo. Desde então, após anos, eles passam juntos a mesma data, nutrindo um sentimento muito mais forte que amizade, mas sem se comprometer a revelar essa emoção. O conto me lembrou extremamente de Eleanor e Park (outro livro da autora), com um final menos trágico. Na história somos levados por todo um sentimentalismo forte, tocante e esplendidamente emocionante. Além das tiradas super engraçadas de Noel, um dos melhores personagens do livro, a recatada Mags é aquela personagem simplista por quem todos acabam se apegando. Escrita perfeita, Rowell descreve cada cena com um toque que parece pessoal, totalmente seu, pintando as páginas com uma sede voraz por muito mais.


A Dama e a Raposa
 

Todos amamos e todos perdemos, e continuamos amando do mesmo jeito.”


O conto escrito pela autora Kelly Link deve ter sido um dos mais confusos do livro. Além da pouca informação que a narrativa trás sobre os próprios personagens, precisei reler duas vezes e no fim, ainda não sei exatamente o que se passou, ou como os eventos se transformaram tão loucamente. Em um primeiro momento parece uma história fictícia sem muito apego ao surreal, entretanto, conforme o enredo vai se desenvolvendo, a essência tornar-se meio sobrenatural. O difícil foi identificar o que tudo isso quis retratar. Com cerca de 25 páginas, essa foi aquela leitura maçante, que você faz, refaz e não atingi a conclusão esperada, como se estivesse faltando informação. Em sua premissa, somos apresentados a Miranda, uma sobrinha/impostara na vida e nos natais de uma família rica. Acostumada a ficar recolhida em seu canto, com seu paquera/primo Daniel, Miranda se vê encantada com o enigmático rapaz que sempre aparece nas noites de natal, ao primeiro sinal de que a neve irá cair.


Anjos na Neve
 

Eu sabia que minha vida era insignificante, e essa compreensão me libertava para conquistar absolutamente qualquer coisa.”

Excelentemente arquitetado, Matt de La Peña cria um enredo enxuto e cômico, onde a cada página é impossível não gargalhar. Na história, conhecemos Sky, um jovem estudante, que necessitado, está quebrando “um galho” para seu chefe e cuidando da cachorrinha de estimação dele enquanto o mesmo viaja. Porém, em plenas vésperas de natal, se vê fisgado inesperadamente por sua linda e atual vizinha, Haley, uma garota um tanto quanto diferente e altamente alegre. A escrita de La Peña é excelente. Poucos dominaram suas páginas com tanta maestria como ele. O único ponto negativo é a narrativa um tanto longa demais, que parece repetir certos eventos, o que vai deixando o leitor um tanto decepcionado. Talvez o número de páginas escrita por ele tenha sido desnecessária, e metade dela teria feito o mesmo efeito. O fato é que de cenas engraçadas a cenas emotivas, “Anjos na Neve” é uma pedida mágica, para os velhos amantes do clichê romântico. Com fortes críticas ao preconceito social, La Peña convida o leitor a uma leitura fofa e ao mesmo tempo encantadora, com direito a neve e momentos um tanto quentes.


Encontre-me na Estrela do Norte
 

Algumas pessoas são criadas pelo pai, pelo tio ou pela avó, mas Natty foi criada desde pequena pelo famoso Papai Noel, convivendo com duendes um tanto diferentes do que podemos imaginar. Jenny Han é autora desse conto, e sua escrita é instigante. Abordando uma temática sobrenatural, vemos a magia envolver pela primeira vez as páginas do livro, e isso deve ser considerado como o ponto mais positivo. Com personagens não tão chamativos, o principal ponto negativo foi o pouco número de páginas para desenvolver melhor essa narrativa, aparentemente diferenciada.


É o Milagre de Yule, Charlie Brown
 

É a raridade que a torna especial.”

É meu primeiro contato com algo da autora, mas sou sincero a dizer que Stephanie Perkins não peca um só instante em seu conto. Uma narrativa asfixiante, doce e super engraçada, levemente tocado pelas críticas bem construídas ao consumismo no natal. A autora nos faz reviver os verdadeiros objetivos dessa data tão linda, não se esquecendo de retocar a descrição com enfeites e cenários dignos de suspiros. É uma escrita simples, mas cativante, que encanta o leitor a cada página. Em “É o Milagre de Yule, Charlie Brown” conhecemos a doce Marigold, garota que adora trabalhar com animações, e atualmente está precisando de um favor bem especial do nada normal, lindo, maravilhoso e cheio de charme, North, um jovem vendedor de árvores de Natal.


Papai Noel por um Dia

Estou com medo de estar apaixonado, porque isso envolve tanta coisa.”


O conto mais esperado do livro por mim, e sou sincero a dizer que não me decepcionei. Se houve um ponto negativo, foi o fato de ser pouco, e de que Levithan, certamente precisaria de mais de trinta páginas para desenvolver excelentemente bem seus encantadores personagens. Quer dizer, o enredo ficou muito bem arquitetado, mas devido, talvez, ao tamanho do livro, os acontecimentos ficaram muito corridos, e não cedeu muito tempo para que o leitor pudesse mergulhar mais na história e talvez se identificar com algum dos personagens. Além disso, o não citar do nome do protagonista talvez tenha sido também uma perda imensa, porque, mesmo narrado em 1º pessoa, vendo tudo o que se passa na cabeça dele, fica difícil se sentir íntimo do mesmo sem saber nem seu nome. Novamente, Levithan aborda o homossexualismo, cercado pelo cenário natalino e o velho espírito de acreditar naquilo que não se vê. Sua narrativa está recheada de um espiritualismo fortemente fervoroso. Lá conhecemos Connor e seu namorado (aquele que não sabemos o nome, e o protagonista). A pedido de Connor, o garoto se vesti de Papai Noel em plena véspera de natal para fazer a noite da sua irmãzinha mais nova muito mais alegre, de forma que ela preserve a ingenuidade infantil.



Krampuslauf

Eu queria que as coisas fossem diferentes do habitual. Queria distorcer a realidade.”

Hanna está pronta para sua primeira festa de ano-novo fora de casa. As expectativas fazem seu estômago tremer, e saber que sua amiga está armando uma armadilha para pegar um namorado traidor não ajuda muito. Mas um estranho garoto fantasiado de Kampus, o companheiro demoníaco do Papai Noel pode mudar toda a sua história ou sua noite.

Esse é o primeiro contato também que tenho com a consagrada Holly Black, e sou sincero a dizer que a narrativa seca, repetitiva e um tanto dramática demais não me surpreendeu tanto. Não só o cenário que no fim das contas não parece tão natalino, mas os personagens, que vão surgindo um atrás do outro, sem muito tempo de se contextualizar ao enredo. O conto de Black tem uma premissa legal e uma pegada envolvente em determinados momentos, mas em sua grande maioria, só repete alguns eventos e alonga mais do que o necessário. Além disso, Hanna não foi uma personagem a qual me adaptei muito. Ela pareceu um tanto fútil, característica que geralmente detesto em personagens, somando mais um ponto de antipatia com o conto. E tirando alguns quotes tocantes, a história ficou superficial demais, e pontos importantes, ao meu ver, foram perdidos.



Que Diabos Você Fez, Sophie Roth?

Muitas coisas parecem boa ideia, mas que uma pequena análise pode revelar que tais boas ideias na aparência, são, na verdade, intrinsecamente falhas.”

Ser a garota de cidade grande em uma cidade pequena não é fácil. Imagine ser uma garota de cidade grande e judia? Sophie tem enfrentando uma época complicada na universidade, sentindo-se deslocada em todo canto ao qual tenta se encaixar. Mas na noite de natal, um improvável milagre pode acontecer, e o desconhecido Russell pode se transformar no seu lar.

Ahhh, MELHOR QUE EU SE EU FICAR! O conto da autora Gayle Forman é encantador e muito lindo, cercado de sentimentos e piadas cômicas. Impossível é ler e não retirar uma mera risada boba, nem que seja de canto de boca. Além de fofa, Forman trás personagens muito bem elaborados, em uma trama amarrada e super instigante. Abordando como temática o preconceito regional, Sophie é uma personagem para abraçar e amar. Não só é independente e forte, como também retrata com perfeição a fragilidade e doçura feminina. Forman separa tudo na medida certa e ganha corações em uma narrativa mágica.



Balde de Cerveja e Menino Jesus

Sempre que precisar se sentir especial, me procure.”


Clichê? Demais. Talvez o mais clichê de todos, e aquele por qual a grande maioria das pessoas vai se apaixonar. Myra McEntire seduz o leitor apresentando um enredo diferente, engraçado e muito romântico. Com uma pegada contraditória, temos o velho par romântico onde a mocinha se apaixona pelo bad boy. Dessa vez, Vaughn, o garoto mais encrenqueiro da cidade, se apaixona pela filha do pastor, Gracie. Mas seriam as aparências suficientes para nos descrever? McEntire vai tratar de julgamentos, segundas chances e fé nas possibilidades. Seu conto é que o melhor retratou o espírito natalino, e que empregou os personagens mais contraditórios. Acredite, nada é o que parece ser, pelo menos não aqui. Com uma escrita muito bem descrita, McEntire garante páginas de diversão e romance colegial, escrevendo o velho clichê do garoto que faria tudo pela garota que gosta. <3 Especialmente falando, foi o conto que mais me identifiquei.


Bem-Vindo a Christmas, Califórnia

As pessoas não precisam lembrar como era ser feliz e seguro no passado. Elas precisam ter esperança de que podem chegar lá outra vez, no futuro.”

Kiersten White apresenta aos leitores a jovem Maria, uma garota que nunca gostou do rumo que sua vida tomou e onde acabou indo morar. Já imaginou que barra morar em uma cidade com o nome Natal? Ela estava decidida a ir embora, até que Ben, o novo cozinheiro do restaurante onde trabalha, lhe chama atenção, em plenas véspera de talvez, seu último natal ali.

É um conto leve e agradável, com uma escrita tão simples que mal se percebe que as páginas estão rolando enquanto as lê. Personagens bem presos ao enredo, sem sombra de dúvidas, é impossível não se apegar a Maria ou Ben, ambos fofo o suficiente para querer agarrar e não largar. Com um inicio um tanto conturbado, o conto vai mudando suas cores conforme se aproxima de seu desfecho emocionante e altamente apaixonante. White trabalha na temática de que às vezes já temos aquilo que queremos, só não enxergamos. 


Estrela de Belém

Quando tudo o que você quer é ir embora, qualquer passagem serve.”


O conto de Ally Carter deve ser o mais surpreendente de todos. Apesar do comecinho devagar, com uma narrativa meio parada demais, aos poucos a autora vai conquistando seu espaço, com seus personagens também apaixonantes. Em “Estrela de Belém” conhecemos Liddy, uma solitária garota que parece está fugindo de si mesmo e da vida que a persegue. Por isso, durante um ocorrido no aeroporto, ela troca suas passagens com uma estudante de intercâmbio islandesa e viaja, se passando por ela. O que ela não sabia é que acabaria se apegando a essa vida e a desejando. Carter começa o conto sem muita expectativa e a história não parece ser grande coisa, mas acaba conquistando os leitores com seu final improvável. Seus personagens, mesmo apaixonantes, não são muito destacáveis e sou sincero a dizer que o conto só me pegou do meio para o final, quando determinados eventos pegam o leitor de surpresa, afinal, é difícil imaginar o que poderia acontecer. No fim, é uma leitura rápida, apesar de tudo, e autora tem uma escrita fácil de ler também, o único problema realmente é a leveza sem muito entusiasmo que a narrativa demonstra trazer.



A Garota que Despertou o Sonhador

E esse foi sem dúvidas o conto mais lamentável do livro. Feito pela autora Laini Taylor (famosa pela trilogia Feita de Fumaça e Osso), a história conta um pouco da transformação que a vida de Neve, uma garota solitária, está prestes a sofrer. Taylor tem uma escrita cansativa, apelativa, e altamente descritiva demais, utilizando-se de uma linguagem complicada, com termos que nem todos os leitores vão saber identificar sem recorrer a um dicionário. O conto que parecia ser o mais promissor devido ao nome da personagem, perde foco e boa parte do cenário natalino é tomado pelo sobrenatural, quando anjos, deuses e pessoas com nomes bizarros tomam a narrativa completamente. Sinceramente, não conheço outro livro da autora, mas depois desse conto fico temeroso de conhecer, não só pelo impasse, como pelo final, um tanto chato e uma longa história sem muito nexo em uma obra que foca o natal.



Autora organizadora deste livro. Stephanie Perkins sempre trabalhou com livros - primeiro como vendedora, depois como bibliotecária e agora como romancista. Adora café moca, contos de fadas, música alta, caminhadas na vizinhança, chá de jasmim e tirar sonecas à tarde. E beijar. Stephanie e seu marido moram nas montanhas do norte da Califórnia.





Um comentário

  1. David, pode ter sido uma das maiores resenhas que escreveu, mas das que eu li também é uma das melhores. Não deu para perceber o tamanho, ela passou rapidinha, foi bem objetiva, meus parabéns.
    Quanto ao livro, nunca tive grande interesse, mas sempre bateu aquela curiosidade. Aah.. Vai que eu gosto né? Haha. Apesar de vários pontos negativos, um ou outro conto me pareceram muito legais.
    E a edição tá super fofa, conseguiu captar o espírito natalino.
    Até mais!
    www.nossosmundos.com

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