Resenha #200 - A Ilha dos Dissidentes (Trilogia Anômalos Vol 1)!



Ficha Técnica
Coleção: Anômalos
Título: A Ilha dos Dissidentes
Autor: Bárbara Morais
Editora: Gutenberg
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 303 páginas
ISBN:978-85-8235-075-1
 Sinopse
SER LEVADA PARA uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.
Cortesia da Editora Gutenberg



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AVALIAÇÃO PESSOAL
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"São três regras muito simples:
Você não diz para ninguém o que se passa por aqui
Você não faz alarde que é parte desta turma
E você sempre respeita os outros membros."


Sybil nasceu em Kali, região tomada pela guerra entre a União e o Império do Sol. Desde cedo, aprendeu que se defender era uma espécie de obrigação, e mesmo sem nunca ter conhecido seus pais biológicos, jamais desejou proteção, aprendendo ainda criança a lutar pelo que quer. Após finalmente conseguir aprovação para deixar a região que tanto lhe atormenta cotidianamente, sofre um acidente quando o navio que a transportava é afundado. Sybil vê as pessoas se afogando... Só ela que não. Ela não é um humano normal... Ela é um anômalo, um mutante, capaz de respirar embaixo d’ água... Sua vida nunca mais será a mesma.

Após ser salva, como única sobrevivente, a garota é enviada pelo governo para Pandora, uma das cidades especiais para pessoas como ela, onde construirá uma nova vida, ao lado de sua nova família adotiva. Mas por trás de tanta beleza e paz, existe um plano de fundo perigoso, envolvendo uma arriscada empreitada que pode não só desestabilizar os rumos da guerra, como iniciar uma nova revolução, totalmente diferente de tudo.

É impossível não adorar esse livro, de todos os ângulos, de todas as formas. Bárbara Morais criou um enredo envolvente, forte, e super distópico, que seduz o leitor aos poucos e sem que se espere. O primeiro volume da trilogia Anômalos já vem com gostinho de quero mais. 

"Eu acho que, na verdade, ninguém nunca está a salvo."

Em A Ilha dos Dissidentes, somos apresentados a um conjunto de personagens impressionantes, impecáveis e surpreendentes, e apesar do começo do livro ser um tanto quanto devagar, devido à falta de ação, a tensão domina cada capítulo. Sybil é mais uma personagem distópica que você, amante do gênero, vai adorar. Ela não é só uma garota forte e corajosa, como também bem mais decisiva e mortal. Sua personalidade altruísta me lembrou bastante a querida Tris, de Divergente, embora Sybil consiga ser bem mais direta, menos dramática e mais decidida. Não existe drama com ela. É pegar ou largar; é lutar ou morrer. E essa sua personalidade explosiva é o que anima as 303 páginas do livro. Contudo, não se deixe enganar. Morais construiu uma coleção de personagens cativantes, desde os mais engraçados, aos mais quietos, cada um com seu dom e sua peculiaridade individual. Leon e Andrei que eu o diga. São totalmente opostos um ao outro. Enquanto que Leon é mais calado, estrategista e responsável, Andrei é leal, engraçado e impulsivo. Cada qualidade define um personagem em particular, tornando improvável não se apaixonar por algum.

O romance ainda trás diversas críticas sociais, bem construídas, fundamentadas em torno das cidades (nomes e títulos) e o universo espetacular que a autora criou. Temáticas como preconceito no geral, em particular, homossexualismo e briga política são facilmente identificados, sendo cada um, perfeitamente trabalhado. Bárbara Morais me encantou muito mais pelo universo do que pela história em si. Adoro a pegada meio X Men que o livro tem, mas foi sua maneira de criticar, de retomar problemas sociais visíveis em nosso cotidiano que mais me encantou. As tiradas irônicas, referidas tanto pelos personagens, quanto pelos títulos atribuídos as cidades são mais um excelente ponto a se ressaltar, não só tornando o enredo ainda mais rico nas contradições, como também acrescentando em algo que aparentemente já se mostra completo.

A falha da obra, comigo, acontece logo no inicio da narrativa. Como mencionei, a obra tem um começo bem devagar, e apesar da tensão e da curiosidade que o leitor mantém, afim de descobrir mais deste universo, Sybil se torna uma narradora um tanto robótica, com respostas e diálogos meio que descontextualizados. Claro que isso não afeta em nada o desenvolvimento dos fatos, e por ser um começo, espera-se uma reação semelhante. O segundo volume tem tudo para ser bem mais asfixiante, com uma trama ainda mais eletrizante.


A edição não peca um só instante. A escrita de Morais é sucinta e inteligente, de forma que não deixa a desejar em suas escolhas de palavras. A Editora Gutenberg me encantou simplesmente pela capa, tomada pelo verde e amarelo, duas cores que se encaixarão perfeitamente bem. Além disso, o título da obra, escrito com letras grandes, tem um detalhe lindo, onde o amarelo da fonte, aparece meio desbotado, como se estivesse enferrujando *-* As folhas e a revisão, tão impecáveis quanto qualquer outra parte da capa. Gutenberg não poupou esforços em nos cativas visualmente. Ah, e claro, não vamos esquecer que essas cores não estão ai por acaso. Quem se aventurar na leitura, descobrirá o porque do amarelo :)





Nasceu e mora em Brasília e está se graduando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB). É membro da Aiesec, organização internacional voltada ao intercâmbio cultural e desenvolvimento de lideranças entre jovens, e uma leitora voraz. Faz parte do Clube do Livro de Brasília e adora organizar eventos literários. Além de sua vasta experiência em trocar bilhetes em sala de aula, derrubar objetos por acidente e consumir cultura pop, ela escreve em seu blog, o Nem Um Pouco Épico sobre livros, música, filmes e cultura. Já teve contos publicados em coletâneas, e este livro marca sua entrada no mundo da ficção. A história da trilogia Anômalos se formou na sua cabeça depois de uma aula de ciências políticas, e combina dois de seus maiores interesses: conflitos sociais e superpoderes. Para a autora, aliás, sagas distópicas são uma excelente maneira de pensar em temas como esses sem deixar de lado a diversão.



13 comentários

  1. Oi David! Essa sua resenha me pegou pelo que disse sobre as críticas politicas e sociais, e a questão do homossexualismo também, achei a obra bem rica pela sua visão, me deu vontade de ler, não tinha visto ela até ainda! Ótima resenha! Beijos
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2015/05/resenha-garota-exemplar-gillian-flynn.html

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  2. Já era curiosa para ler esse livro mesmo antes de saber um pouco da história, e agora que sei um pouco já o adicionei a minha wishlist!! Beijos!

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  3. Oiii tudo bem? então sua resenha esta bem legal, mas infelizmente não e o tipo de livro que me chame a atenção, mais de qualquer forma gostei de ver o seu entusiasmo pra falar dele e isso que e legal pra quem faz resenhas, parabens pelo trabalho.

    Beijos.
    http://www.brendalandim.blogspot.com.br/

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  4. Olááá´!

    Gente, eu tenho parceria com a editora e preciso pedir esse livro com urgencia!
    Não sou muito fã de distopias, na verdade é falta de costume e eu adorei saber um pouco mais dessa obra; o que eu achei muito legal é que a autora é direta e isso faz com que a leitura flua melhor né?
    Outra coisa é o cuidado com a editora.
    Enfim, sua resenha só confirmou que eu precisava saber. tenho que ler em breve!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  5. Oi, tudo bem? Primeiro de tudo: Eu não fazia ideia que esse é um livro nacional. Fiquei bastante surpresa e agora até mais curiosa para ler.
    Acredito que a forma como você descreveu a protagonista me pegou de vez, pois na verdade estou saturada de protagonistas chatinhas meia boca e saber que Sybil não é assim já agrega um grande ponto positivo para a obra mesmo sem eu ter lido.
    Beijos.
    Blog Clicando Livros

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  6. oi :)
    cara se tem uma coisa que eu odeio é quando a narrativa começa lenta, pq minha vontade é jogar o livro pra longe haha.
    mas a ideia do livro é mt boa, então dá pra relevar a narrativa lenta, e como não é a primeira resenha positiva que eu vejo e isso me anima muito para ler.
    Seguindo o Coelho Branco

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  7. Amo narrativas distópicas e só por isso o livro já me interessaria. Conheci a Bárbara em um evento há um tempo atrás e a achei muito simpática, e o modo que ela falou do livro foi apaixonante - esse foi mais um passo em direção à leitura. Infelizmente ainda não comprei, mas realmente quero muito ler. Pena que o começo é devagar, mas se a obra te encantou pelo universo criado pela autora e se trabalhou tão bem todos esses assuntos, deve valer muito a pena a leitura.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  8. Oi David,

    Não conhecia o livro e assim que vi a capa, apesar de bonita, já me remeteu para a trilogia distópica o Teste, poderiam ter sido mais criativos, mas ok. Lendo a resenha fiquei com a sensação de que muito coisa é parecida com Divergente, enfim, como não li não posso afirmar, mas fiquei com a sensação de ter histórias outras misturadas aqui em A Ilha dos Dissidentes. Como a temática me interessa lerei a obra para verificar se as minhas impressões se confirmam, torço para que não, sem falar que o início é meio devagar, mas vamos lá.

    Beijos
    Tânia Bueno
    www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Oi Tânia!
      Sério que te lembrou Divergente? Caramba, mas é bem diferente viu. Tipo, a única semelhança talvez seja a forma como os humanos tratam os anomalos, que são as pessoas que tem poderes. Eles meio que são isolados em cidades a parte. Mas tirando isto, o foco do livro está mais no preconceito do que na sociedade em questão.

      Abraços
      David Andrade
      http://www.olimpicoliterario.com/

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  9. Oi David, tudo bem?

    Tenho muita curiosidade em ler Ilha dos Dissidentes. Os livros da Gutemberg são sempre maravilhosos. Bom saber que a autora tem uma escrita inteligente. Só me dá mais vontade de ler.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  10. Ola David adoro distopia e ainda mais com uma protagonista forte e decidida, já estava de olho nesse livro e a cada resenha tenho certeza que vou amar. A editora está de parabéns em suas edições e a capa está linda. abraços

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  11. Amei esse livro do início ao fim! A edição da Gutenberg realmente está linda de morrer e eu sou apaixonadíssima por essas capa.
    A escrita da Barbara, com suas tiradas irônicas e inteligentes encantam qualquer um, não é verdade? Estou mega curiosa com a continuação.

    Beeeijinhos ;*
    Andressa - Mais que Livros

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  12. Olá, David!

    Bom, você sabe que amo distopias, assim como você. Desde que vi essa trilogia pela primeira vez, fiquei interessado nela. Adoro críticas sociais, mas não sei se me sentiria bem lendo a parte "lenta" do livro... gosto de ação! haha

    Adorei a resenha!

    Um abraço,
    Sérgio H.

    www.decaranasletras.blogspot.com

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