Resenha #209 - Graffiti Moon!


Ficha Técnica
Título: Graffiti Moon
Autor: Cath Crowley
Editora: Valentina
Edição: 1
Ano: 2014
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 240 páginas
ISBN: 978-85-6585-922-6
 Sinopse
O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar - esta noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar da escuridão, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar - se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho da sua vida. Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois, de repente, se juntam numa busca frenética aos lugares onde a arte do grafiteiro, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Há aqueles que veem beleza e significados na arte, há também aqueles que a utilizam como sua rota de fuga da realidade. Os personagens da história de Crowley são exatamente assim, adolescentes em fuga de seus passados, de suas realidades, anestesiados pelo sentimento da arte durante o prazo de uma noite. Uma noite para ser lembrada.

Essa noite, um muro será um pássaro batendo as asas.” (p. 91)

A primeira a começar a narrativa é Lucy. Ela está vivenciando o seu último dia do ensino médio, e apesar de suas amigas Jazz e Daisy terem a chamado para comemorar noite adentro, tudo que ela deseja é encontrar o Sombra, um misterioso grafiteiro que utiliza os muros da sua cidade como tela para se expressar. Sua arte sensível e por vezes melancólica é romantizada por Lucy, e por trás dela, ela idealiza o tipo de garoto que o Sombra deve ser, o seu tipo de garoto. 

— As coisas esquisitas às vezes são as mais bonitas” (p. 96)

O segundo a se apresentar é Ed, reconhecido por sua arte como o Sombra, garoto que curiosamente, teve seu nariz quebrado por Lucy durante o primeiro encontro de ambos, graças ao leve deslize de Ed passar acidentalmente a mão na bunda de LucyEd nunca foi um bom aluno, e após o acidente com Lucy, acabou abandonando a escola e arranjando um emprego para ajudar sua mãe com as despesas da casa, e como rota de fuga, pintava, céus cobertos de pássaros e garotos com corações de grama, luas aprisionadas e buracos em forma de pai.

Ironicamente, Ed e Lucy acabam se encontrando na noite, e iniciando uma busca vã para encontrar o misterioso grafiteiro chamado Sombra, e sob a iluminação artificial das ruas, eles ganham uma segunda chance de se conhecerem, descobrir novos significados para a arte, e redescobrir sentimentos há muito tempo enterrados. 

... às vezes, uma pessoa tem que criar suas próprias janelas.” (p. 122)

A narrativa de Crowley é fantástica, a forma como ela cria mundos inteiramente novos e desconhecidos dentro da mente de seus personagens é sua própria forma de fazer arte, utilizando apenas o artificio das palavras para executar sua obra. E apesar da complexidade de seus personagens, ou talvez por causa disso, eles se mostram cada vez mais reais a cada página, intercalando seus mais profundos pensamentos com piadas bobas, para não serem taxados de malucos por seus interlocutores. É impossível não se divertir com os acidentes de percurso da noite dos dois, e também da de seus amigos. O livro revela uma sensibilidade incrível da autora sobre o amor e por tanto falar em arte e seus criadores, devo admitir que houveram momentos em que eu simplesmente parei a narrativa para bisbilhotar o tema da conversa dos personagens, surpresas mais do que agradáveis. Entre as obras citadas, Lucy menciona o quadro Os Amantes, de René Magritte, e até agora, não consigo deixar de pensar em como a obra descreve bem a história. O reconhecimento do sentimento do casal mesmo que cego devido ao tecido que envolve suas cabeças.

... sonhar é o único jeito de se chegar a algum lugar.” (p. 90)





CathCrowley cresceu na área rural de Vitória, Austrália. Estudou produção e edição de texto no Royal Melbourne Instuteof Technology e já recebeu diversos prêmios por seus livros (confira alguns ao lado). Para saber mais sobre Cath e seus livros






3 comentários

  1. Não conhecia ainda a obra, mas gostei! Não é aquela paixonite aguda já de cara entre os personagens, eles vão aprendendo aos poucos um sobre o outro, e isso já torna tudo bem legal, fora a arte tão presente na história né :D

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem post novo no blog sobre os Multitalentos, vem conferir!

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  2. Olá, boa noite!

    Adorei a resenha e o livro me pareceu muito bacana, acho que eu gostaria de lê-lo, me pareceu um livro leve. Estou errada?

    Beijo!
    Livros & Tal [http://livrosetalgroup.blogspot.com.br/].

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    Respostas
    1. E sim Ana
      Um livro super leve. Leia se tiver oportunidade :3

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