Resenha #227 - Cordeluna!







Título: Cordeluna
Autor: Élida Barceló
Editora: Biruta
Edição: 1
Especificações: Brochura | 312 páginas
ISBN: 978-85-7848-081-3
 Sinopse
Apaixonante novela que combina história e fantasia, amor e maldade, bruxaria e religião. A história se passa na Idade Média e é muito bem retratada no livro, que destaca costumes e valores da época. As sangrentas guerras entre muçulmanos e cristãos pela expansão e posse de seus domínios. No posfácio, a editora explica os diferentes períodos da História e descreve a fascinante personalidade de El Cid.
Cortesia Editora Biruta


**********************************************************************
AVALIAÇÃO PESSOAL
**********************************************************************
 




Com boas referências históricas e uma abordagem da juventude em dois tempos distintos, Élia Barceló traz um mundo medieval cheio de magia e honra em Cordeluna. Ao mesmo tempo em que o enredo nos ensina muito sobre a história da Espanha, ele nos proporciona uma leitura leve e muito rica sobre a Idade média.


Cordeluna conta a história de uma maldição que liga dois casais que vivem em momentos diferentes da história. No começo do milênio passado, Sancho, um jovem cavaleiro, e Guiomar, uma jovem condessa órfã de pai, se apaixonam desde o primeiro momento em que se encontraram. No entanto, o cavaleiro é cobiçado também pela madrasta de sua amada, Dona Brianda, que ao descobrir o sentimento entre sua enteada e o cavaleiro, recorre a forças das trevas para amaldiçoar o jovem casal por toda a eternidade. Entretanto, o rapaz carregava consigo uma espada com poderes estranhos, Cordeluna, que acabou proporcionando a ele oportunidades de se livrar desta maldição. Porém, mil anos depois, Sérgio e Glória tem a última oportunidade de livrar Guiomar e Sancho da maldição lançada por Dona Brianda, mas existem forças sombrias que querem impedir a quebra da maldição lançada mil anos antes no jovem casal apaixonado.

"- E o amor? - perguntou timidamente Guiomar. 
- O amor é uma invenção dos trovadores, tonta, porque sabem que gostamos de ouvir essas coisas nas longas noites de inverno, depois das tarefas do dia.

Com uma narrativa desenvolvida em terceira pessoa, Cordeluna tem o enredo focado em dois cenários e tempos, que se divide em contar a história de Sancho e Guiomar na Idade Média e contar a história de Sérgio e Glória nos dias atuais. Não é dividido em capítulos, porém, o livro possui unidades definidas em que a narração em uma unidade aborda a Idade Média e em outra unidade aborda os dias atuais. A narração em terceira pessoa da obra permite certa imparcialidade da narrativa, já que o enredo aborda dois tempos distintos, onde o leitor tem a possibilidade de conhecer melhor o cenário físico e social que cada um dos protagonistas está sendo exposto. 

Os personagens seguem estereótipos sociais de cada época. Sancho é o jovem cavaleiro da Idade Média, que serve um senhor de forma fiel e sempre obedece as regras cristãs temendo sempre retaliação divina. Guiomar é uma jovem órfã inocente, que vive junto com sua madrasta desde a morte de seu pai e sonha em encontrar o amor de sua vida, porém, como sua linhagem conserva o título de nobreza, ela talvez tenha que se casar contra a sua vontade com algum nobre que não seja do seu gosto. Sérgio e Glória são jovens atores que estão participando de um projeto que remonta acontecimentos históricos para um documentário, onde o rapaz, Sérgio, é bonito e descolado e a moça, Glória, é tímida e dedicada a seus objetivos. 

Além dos protagonistas, existem diversos outros personagens, como: Tina, a melhor amiga de Glória; Régula, a dama de companhia de Guiomar; Quique, o melhor amigo de Sérgio; Laín, o companheiro de batalha de Sancho; Sibila, uma garota amiga de Glória que tem uma sensitividade maior; Dona Bibiana, uma herborista bastante sensitiva que ajuda Sancho com sua maldição; entre outros. 

Mesmo com esses personagens, que eu defino como “estereotipados”, o enredo de Cordeluna é belíssimo, pois, sua narração possui toda uma contextualização da época em que se passa a história de cada personagem e o cenário em que estavam. As descrições de Barceló sobre os cenários medievais foram bastante precisas, já que a autora não teve pudor de falar do fedor das cidades na época medieval, ou de como era os métodos de castigo para aqueles tempos cruéis. Além das descrições minuciosas, Barceló usa de termos do latim, ou termos comum na época medieval, para tornar mais contextualizada sua narração da Idade Média. 

Na parte material do livro, simplesmente, é uma das edições mais bonitas que eu já vi em questão de diagramação de página e recursos estéticos para embelezar a obra. A capa em sua simplicidade de detalhes a torna completamente conveniente com a obra, pois, se escolheu deixar em evidência a espada que nomeia o livro. As páginas são brancas, não amareladas como a maioria dos livros atuais, porém, existem alguns recursos na edição que torna o livro muito atraente. Dentre eles podemos falar da fonte, que faz referência às fontes manuais desenvolvidas na Idade Média e as imagens soltas no meio do livro. 

Em minha opinião, a obra de Barceló é um livro bastante didática para as pessoas que buscam conhecer a história da Península Ibérica, e conhecer melhor sobre os costumes da Idade Média. Cordeluna é uma obra muito bem alicerçada em fatos históricos, em que podemos ver no posfácio do livro a autora falando sobre suas fontes de pesquisa histórica para escrevê-lo. Tal pesquisa para escrever a obra pode se considerar que não foi em vão, pois, com Cordeluna a autora Élia Barceló ganhou o “Prêmio Edebé de Literatura Juvenil” em 2007. É uma boa leitura para quem gosta de histórias de cavaleiros e magia, porém, uma grande dificuldade que tive na minha leitura de Cordeluna foi a oscilação narrativa entre tempos. Fica bastante cansativo não seguir uma linha cronológica, pois, em uma parte do livro você está no presente, poucas páginas depois você está na Idade Média (esse fato tornou minha leitura um pouco mais lenta do que ela realmente é).



Minha avaliação é de quatro estrelas para a obra de Barceló, pois, trata-se de uma obra bastante rica em informações históricas com uma narrativa bastante detalhista, no entanto, a oscilação temporal foi um recurso narrativo que prejudicou um pouco o dinamismo da minha leitura. No fim, considero uma ótima leitura para quem gosta de narrativas medievais.



Élia Barceló (Alicante, 1957) estudou Filologia Hispânica e Anglo-germânica. É casada e mãe de dois filhos. Atualmente mora em Innsbruck (Áustria) e é professora de literatura espanhola e produção de texto na Universidade de Innsbruck. Concilia esse trabalho com suas atividades de escritora, com as quais tem obtido muito sucesso – tanto com seus romances policiais, de ficção científica e literatura fantástica para adultos, como com seus romances para jovens. Parte de suas obras já foi traduzida para dezoito línguas.




Um comentário

  1. Não é dividido por capítulos? Vish, deve ser um pouquinho cansativo então :/ e sua resenha ficou ótima, mas acho que pra mim não faria muito meu gênero

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem resenha de "Segredos de uma noite de verão" no blog, vem conferir!

    ResponderExcluir

Expresse-se