Resenha #217 - O Espelho de Cassandra!


Ficha Técnica
Título: O Espelho de Cassandra
Autor: Bernard Werber
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 1
Ano: 2015
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 560 páginas
ISBN: 978-85-2861-687-3
 Sinopse
O que você faria se pudesse prever o futuro, mas ninguém acreditasse? Cassandra Katzenberg, de 17 anos, nunca teve uma vida normal. Sem lembranças de sua existência até os 13 anos, quando seus pais faleceram em um atentado no Egito, a jovem é considerada excêntrica, até mesmo louca, por todos à sua volta. Principalmente após começar a ter visões do futuro, tal qual sua homônima da mitologia grega, prevendo grandes tragédias para a humanidade com uma assustadora riqueza de detalhes. Determinada a recomeçar sua vida em outro lugar, a jovem Cassandra Katzenberg foge da escola onde estudava, levando consigo um misterioso relógio que calcula sua probabilidade de morrer dentro de cinco segundos. Na fuga, encontra uma aldeia onde pessoas banidas da sociedade vivem em um verdadeiro Estado livre e independente. É ali que suas premonições finalmente serão ouvidas, e encontrará aliados com os quais poderá contar na tentativa de salvar o mundo das tragédias iminentes que somente ela tem conhecimento.
Cortesia Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Eu conheço a força e a prisão das palavras.”


Bernard Werber tem uma escrita propriamente sua, voltada para diversos tipos de referências ou ideais. Em sua obra O Espelho de Cassandra não se altera em momento algum esta características, mas a muita explanação dos personagens e a pouca reviravolta do livro, acaba tornando a leitura maçante e cansativa. E embora suas críticas sociais sejam excelentemente construídas, sobre o peso de um humor negro forte, isto não basta para sustentar o leitor até suas últimas páginas.

Cassandra sempre foi ofuscada. Tendo seu nome como referência a uma personalidade grega que remetia a traições e mentiras, Cassandra está cada vez mais desacreditada de sua vida. E não ajuda muito, tendo ela o dom de enxergar o futuro, mas não conhecer ao menos seu passado. Sua vida nunca parece estar completa. E as pessoas a sua volta não acreditam nela. Mas após um acontecimento inesperado, fugindo de sua antiga vida, Cassandra se depara com Redenção, uma cidade peculiar, no centro da lixeira de Paris, onde encontrará pessoas tão peculiares quanto ela, que virão a ser, sua arma mais poderosa em busca de descobrir mais sobre seu passado e sobre quem ela realmente é.


É assim desde o início dos tempos: nada é resolvido, os erros são maquiados e todo mundo acaba se acostumando e esquecendo.”

Sem dúvidas O Espelho de Cassandra é um livro paradoxal e complexo. Seus personagens são ilustres figuras altamente contraditórias, desde a raiz de seus nomes. Werber tem disso: construir protagonistas que fujam um pouco do esperado, e aqui não é diferente. Cassandra apresenta diversas contradições a sua própria personalidade ou significado, sendo o maior deles, a incapacidade de lembrar seu passado. Tendo ela o dom de enxergar o futuro, não saber quem foi ou como viveu deve ser um fardo complicado de se carregar. 

Narrado em primeira e em terceira pessoa, o livro vai alterando pontos de vistas entre críticas e momentos de suspense ou introdução. O começo da obra é sem dúvidas seu ápice. Aos poucos vamos nos apegando a Cassandra e a sua luta para descobrir sua identidade, conforme a personagem vai passando por mais e mais transformações enquanto que o enredo se desenrola. Mas é exatamente esse excesso de transformações que acaba tornando tudo cansativo. O livro com 560 páginas poderia ter sido um pouco mais enxuto e apresentado eventos mais eletrizantes. Embora Werber tenha uma visão crítica social incrível, onde ele ferroa sem dó nem piedade todos os blocos sociais, a narrativa acaba batida conforme os diálogos e a monotonia vai ocupando boa parte do livro. Foram quase 300 páginas de pura calmaria, e a ação final, infelizmente não compensou. Werber cita diversas esferas sociais para criticar, desde as política, até a jornalística ou ambiental. O Espelho de Cassandra critica os atos humanos no geral, e isso de longe é a melhor característica do romance. Foi a forma de descrever esses anti-heróis que o autor criou que realmente enojou. Werber explora o mais sujo possível que o homem pode se assemelhar a um animal, e tendo como um cenário o lixeiro mais fétido de Paris, já se pode imaginar que alguns momentos do livro vão realmente fazer seu estômago se revirar de tão nojento (pessoalmente algumas descrições eu pulei, de tão enjoado que fiquei). A realidade retratada pelo autor é nua e a crua, sem qualquer embromação. Seus personagens, protagonistas ou não, não foram feitos para agradar, mas para mostrar a vivacidade humana em sua forma mais pura, e isto é outro ponto positivo. O livro com 300 páginas teria sido muito mais vantajoso e talvez tivesse agradado bem mais. Foram as longas páginas sem emoção ou ação que tornaram a leitura cansativa. E mesmo com uma obra rica criticamente, O Espelho de Cassandra deixou a desejar e não supriu minhas expectativas.
Livros... É o único remédio rápido.
Como dito acima, Cassandra não é a única que apresenta modificações comportamentais. Os outros personagens, igualmente, passam por diversas transformações e tornam a história ainda mais crítica e contraditório, onde mesmo morando em um lixão, ostentam títulos de nobreza, como Duquesa, Princesa, Marquês e entre outros. E no meio de tanta crítica e de um verdadeiro mistério policial, o autor acrescenta um romance, fofo, mas que ao meu ver também não foi bem desenvolvido. Poderia ter sido melhor aproveitado se ambos os personagens tivessem interagidos um pouco antes, e não apenas quase ao final do livro. O casal que deveríamos torcer acaba se transformando em algo forçado e um tanto sem sal, assim como a narrativa. A trama em si tem uma ideia legal, mas seu desenvolvimento falha, fatalmente.



A edição e a diagramação publicada pela Editora Bertrand Brasil não peca um só instante. Uma capa ilustrativa e linda, e altamente chamativa, que expressa muito sobre o enredo central do livro. Com certeza, tornaram O Espelho de Cassandra um livro de opiniões, mas nem de longe, para mim, o melhor já escrito pelo Bernard Werber.



Bernard Werber começou a estudar jornalismo em 1982, quando, então, descobriu o escritor Philip K. Dick. Entre 1983 e 1990, trabalhou como jornalismo para a revista cientifica Nouvel Observateur enquanto começava a escrever seus romances. Em 1991, publicou seu livro de estreia, As Formigas. O sucesso foi imediato: mais de 1 milhão de exemplares vendidos somente na França. Isso o impulsionou a publicar mais dois volumes - O dia das formigas e A revolução das formigas - e formar uma trilogia, publicada pela Bertrand Brasil. O mistério dos deuses é o seu sexto lançamento no Brasil, e o último volume da trilogia O Ciclo dos Deuses.



Um comentário

  1. Olá, David.
    Já tinha visto esse livro nas andanças pela livraria e gostado. Realmente a edição está muito bonita, e pelo que disse o livro ao ser aberto não é muito diferente disso. Me pareceu uma história que envolve rapidamente. Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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