Resenha #246 - Naomi e Ely e a Lista do Não-Beijo!





Título: Naomi e Ely e a Lista do Não-Beijo
Coleção: 
Autor: David Levithan e Rachel Cohn
Editora: Galera Record
Ano: 2015
Especificações: Brochura |256 páginas
ISBN: 9788501103123
 Sinopse
A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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RESENHA POSTADA ORIGINALMENTE NO BLOG DE CARA NAS LETRAS

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo é um livro leve, com certeza, e não tem grandes significados, como outros livros do autor, David Levithan, apresenta, mas é prazerosa, rápida e muito fofa, de forma que o leitor se vê totalmente envolvido por sua trama e por todos os seus personagens. A obra, elaborada em colaboração com a autora Rachel Cohn garante aquele cantinho especial na sua coleção, de uma forma que finalizar o romance pode gerar um misto impressionante de amor e ódio.

Naomi é a garota popular que sempre teve todos os garotos que quis, ou até mesmo aquele que não quis. Bastaria uma piscadela ou então uma jogada de cabelo para deixar qualquer cara caidinho por ela. Bonita, inteligente, descolada e muito sensual, Naomi sempre foi à garota mais cobiçada do prédio. E não que isso seja ruim. Pelo contrário, ela ama essa atenção, mas o único cara que ela queria chamar atenção é único que nunca terá. Ely é sua paixão platônica desde a infância, e mesmo agora, já com outros pensamentos, isto nunca mudou; o sentimento continua ali. Mas Ely não gosta de Naomi. Na realidade Ely não gosta de garotas. E é em uma improvável situação que ele acaba beijando o namorado dela, abalando a amizade dos dois. Seria Naomi capaz de perdoar Ely pelo deslize? Seria capaz de prosseguir sua vida sabendo que seu grande amor, jamais será mais do que seu grande amigo?

Existem muitas maneiras de se obrigar a tomar uma decisão. Fazemos isso o tempo todo, tomar decisões. Se realmente pensássemos em cada decisão que tomamos, ficaríamos paralisados. Qual palavra dizer agora? Para onde ir? O que olhar? Que número discar? Você precisa escolher quais decisões vai tomar, e depois esquecer o resto.

Levithan e Cohn guiam o leitor por uma divertida aventura romântica, cheia de encontros e desencontros, onde o foco é o relacionamento entre as pessoas. Narrado em terceira pessoa, sob a perspectiva de diversos personagens, desde os protagonistas aos secundários, Naomi e Ely deixam no leitor aquela sensação de preenchimento, momentos fofos e apaixonantes, onde a todo instante parece que estamos vivendo uma nova emoção. Como já esperado de obras de Levithan, o livro também está recheado de passagens encantadoras e memoráveis.

Mas minha mente não tem capacidade de dominar meu coração

Podem dizer que sou antiquado, mas estou esperando pelo amor verdadeiro. Ainda que não passe de uma fantasia inatingível.

Ao mesmo tempo em que a diferenciação de pontos de vista é extremamente positiva, por outra se torna negativa. O lado positivo de tantos personagens narrarem é a perspectiva que o leitor ganha sobre toda a mudança que acontece no ambiente ao redor de Naomi e Ely, quando os amigos inseparáveis se vêem em uma situação que nem a amizade parece ser forte o suficiente para relevar. Visualizamos como esse fim de relacionamento, afeta diversas pessoas que convivem a sua volta, desde positivamente, quanto negativamente. Neste aspecto os autores trabalharam excelentemente. Como visto na sinopse oficial, o livro tem como idéia central tratar sobre a relação intrincada desses personagens, focando como fator principal o amor e a maneira como este sentimento pode afetar algo tão forte e duradouro. Embora a obra não apresente grandes questionamentos filosóficos (como em Dois Garotos Se Beijando ou Todo Dia), ainda sim mantém uma qualidade agradável e extremamente viciante, alavancando um verdadeiro estudo social entre as complexas relações humanas.


O ponto negativo de todas essas visões foi o número absurdo de informações desnecessárias, e a meu ver, alguns capítulos sem muita graça e com pouca relevância. Alguns personagens se tornam até meio descartáveis, já que sua convivência não está tão interligada aos protagonistas, e novos assuntos e novos relacionamentos começam a ser tratados nesta verdadeira rede de conflitos que Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo se transforma. Em nenhum momento, porém, isso afeta o ritmo de leitura. A obra optou por apostar no humor, e nesse quesito, não deixou a desejar. Sem falar que a convergência de tantos pontos de opiniões não falha também, tendo um final muito bem arquitetado, emocionante até certo ponto e inteiramente concreto.

Seus personagens são ricos em personalidade, isto é inquestionável, mas não entram para minha lista de favoritas. Embora Ely e Naomi sejam protagonistas bem mistificados, com personalidades fortes, meio estereotipadas (ela a mocinha metida e popular; ele o gay purpurina e amigo para todas as horas) o egocentrismos de ambos durante boa parte do livro me levou a não me cativar tanto por eles. Como mencionei acima, finalizei a leitura com um misto de amor e ódio, sem saber se eles eram realmente fofos e precisavam apenas amadurecer, ou se eram personagens voláteis demais, de forma que não consegui ter uma visualização muito correta sobre eles. Se o amadurecimento deles tivesse acontecido mais cedo, de forma a explorar a história sobre esse outro campo, acredito que talvez tivesse me identificado mais.


O mesmo não posso dizer sobre o secundarista Bruce, o Primeiro. Além de possuir uma personalidade bem peculiar (também estereotipada (típico garoto nerd e apaixonado)), foi um dos poucos personagens que consegui me afeiçoar e me identificar, não só no quesito personalidade, mas também nas ações. Extremamente inexpressível, trancado em uma paixão da qual não consegue se livrar, o personagem me cativou, e embora sua exploração ao desfecho do livro tenha sido quase nula, gostaria de saber mais sobre que rumos seu destino tomou. De longe, o personagem que mais gostei.

É uma grande mentira dizer que só existe uma pessoa com quem se vai ficar pelo resto da vida. Se tiver sorte – e se esforçar bastante -, sempre haverá mais de uma.

Contamos ainda com uma edição muito singela e bela, tendo uma capa muito atrativa e uma revisão impecável :) Naomi e Ely é uma pedida imperdível para os fãs do autor, e para quem gosta de um bom romance chick lit. Com uma pegada parecida, o livro é fofo e muito envolvente, tendo um ritmo gostoso e super leve.



A verdade é que as coisas mais interessantes na minha vida tende a emanar de minha imaginação e, em seguida, aparecem nos livros - a vida real, nem tanto. Mas no interesse de Ye Olde Book Report, aqui é a informação básica.
Nasci em 14 de dezembro de 1968 em Silver Spring, Maryland. Eu cresci na área de DC (Maryland suburbano), mas também passou os verões da minha infância em Massachusetts ocidental com os meus avós, então eu meio que sinto que estou a partir de dois lugares.
A partir do momento que eu aprendi a ler e escrever que eu estava sempre tentando criar histórias. Eu cresci cercado por livros e pela família que eram educadores - o desejo eo incentivo para escrever veio rapidamente em minha casa.




David Levithan (nascido em 07 de setembro de 1972, Short Hills, New Jersey) é um editor de ficção gay jovem americano adulto e autor premiado. Ele teve seu primeiro livro, Boy Meets Boy, publicado em 2003. Ele tem escrito inúmeras obras com personagens gays do sexo masculino, principalmente Boy Meets Boy e Nick and Norah's Infinite Playlist. Aos 19 anos, Levithan recebeu um estágio na Scholastic Corporation, onde começou a trabalhar na série The Baby-sitters Club. Dezessete anos depois, Levithan ainda está trabalhando para Scholastic como diretor editorial. Levithan é também o editor-fundador do PUSH, uma marca jovem-adulto da Scholastic Press enfocando novas vozes e novos autores.






2 comentários

  1. Haha é uma temática bem diferente mesmo e mais puxado pro lado cômico. Gostei bastante da resenha, ainda não li nada desse autor mas acho que vou dar uma chance :D

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem resenha nova no blog de "Máscara", vem conferir!

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  2. Já vi várias resenhas sobre esse livro e achei super legal, já está na lista de próximas aquisições!

    http://lendocomela.blogspot.com.br/?m=1

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