Resenha #249 - Prometo Falhar!





Título: Prometo Falhar
Autor: Pedro Chagas Freitas
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Especificações: Brochura |400 páginas
ISBN9788581637495
 Sinopse
Prometo Falhar é um livro que fala de amor. O amor dos amantes, o amor dos amigos, o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe, pelo pai, o amor que abala, que toca, que arrebata, que emociona, que descobre e encobre, que fere e cura, que prende e liberta. Em crônicas desconcertantes, Pedro convida o leitor a revisitar suas próprias impressões sobre os relacionamentos humanos. 
A linguagem fluida, livre, sem amarras, faz querer ler tudo de uma vez e depois ligar para o autor para terminar a conversa . Medo, frustração, inveja, ciúme e todos os sentimentos que nos ensinaram a sufocar são expostos sem pudores. Mergulhe de cabeça numa obra que mostra que é possível sair ileso de tudo, menos do amor. Você escolhe a ordem em que vai ler as crônicas do jovem escritor que tem 21 obras publicadas e é sucesso de vendas em Portugal.
Prometo Falhar foi o livro mais vendido de Portugal em 2014 e chega ao Brasil com mais de 100 mil cópias vendidas na edição portuguesa.
Cortesia Editora Novo Conceito


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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O amor consiste na capacidade de encontrar todas as paixões em um só corpo.

Um livro tocante, apaixonante e muito inspirador, Prometo Falhar faz do leitor vítima dos amores idealizados, dos amores não correspondidos e principalmente dos amores eterno. Pedro Chagas Freitas nos encantam com sua narrativa apaixonante e sensual, cheia de indiretas e relacionamentos conturbados.

Os loucos vêem no impossível todos os motivos para continuar enquanto os outros vêem todos os motivos para desistir, e ainda são chamados de malucos.

Mudanças são necessárias muitas vezes, e elas não são fáceis. É mais fácil acomodar-se nos erros, que fazer algo para consertá-los. 

A obra de Freitas vem estruturada sobre diversas crônicas centralizadas sobre o amor. O que parece ser um mero livro sentimental ganha novas cores de acordo com que o leitor vai mergulhando na imensidão da veracidade das palavras do autor. São 400 páginas de puro envolvimento com os dramas de cada crônica, e Freitas não se fecha apenas a visão masculinizada do sentimento, mas também recorrer a visão feminina, sendo que em alguns textos o leitor se ver guiado por um narrador homem, e outros por um narrador mulher. Dependendo da perceptiva, esse fato também pode ficar ambíguo quanto ao próprio interlocutor da crônica, sendo que o leitor pode ficar na dúvida ou deduzir para quem iria aquele texto. Mas na maior parte do tempo a visão masculina predomina. E não que isso seja jamais um ponto negativo. O homem de Freitas é altamente submisso, com uma personalidade viril e ao mesmo tempo mais feminina, quase dependente. O foco de explorar o amor em suas diversas facetas faz do livro algo tão viciante e bom de se ler, mas na medida certa. Devido ao fato de serem restritamente 400 páginas de texto romântico, alguns leitores podem se sentir desapegados a não se aventurar na leitura. Além das crônicas se tornarem enfadosas, se lido com muita velocidade, pode se tornar também negativa, devido ao tamanho da obra, que a meu ver, ficaria melhor se fosse menor. E não porque as crônicas sejam ruim, pelo contrário, são perfeitas, mas pelo fato de serem apenas isto, crônicas e não possuírem qualquer ligação uma com a outra. Chegada a certo momento, eu já não estava tão interligado com a leitura quanto gostaria de estar, e por essa razão parava e retornava depois, para me aprofundar ao máximo.



Centralizando, como disse, o amor, Freitas não falhou em caso algum quando o assunto foi transmitir sentimentos. O leitor se vê embargado pelo sofrimento, alegria ou euforia dos narradores de cada crônica, sendo invadido por diversas sensações a cada novo texto lido. Predominantemente, vamos nos apegando pelos dilemas da paixão ou ficamos mais empolgados com as cenas mais eróticas e sensuais. De toda maneira, as crônicas viciam de forma que torna impossível não querer continuar, mesmo que elas não possuam interligação. E ainda poderá contar com uma edição linda, com folhas firmes e uma fonte super confortável. O material utilizado em Prometo Falhar foi um dos melhores que já vi a Editora Novo Conceito usar, então, se não tê-lo para lê-lo, visualmente falando, tê-lo para apreciá-lo. O livro vai muito além de amor e erotismo, sendo uma aprendizagem pessoal para qualquer leitor que queira se aventurar.

PS: Deixe um caderno a parte para anotar os quotes, porque o livro está recheado de citações mais que magnificas e tocantes.



Não quero trajetos sem pedras, pessoas sem problemas, muito menos glórias sem lágrimas. Não quero o tédio de só continuar, a obrigação de suportar, andar na rotina só por andar. Não quero o vai-se andando, o é a vida, o tem de ser, nada que não me faça gemer. Não quero o prato sempre saudável, a saladinha pura, a cama casta, o sexo virgem. Não quero o sol o dia todo, a reta sem mínima curva, não quero o preto liso nem o branco imaculado, não quero o poema perfeito nem a ortografia ilesa. Não quero aprender apenas com o professor, a palmadinha nas costas, o vá lá que isso passa, a microssatisfação, a minúscula euforia. Não quero os lábios sem língua, a língua sem prazer, fugir do que mete medo, e até me acomodar no que me faz doer. Quero o que não cabe no regular, o que não se entende nos manuais, o que não acontece nos scripts. Quero a ruga esquisita, a mão descuidada, a estrada arriscada, a chuva, o vento, as unhas cravadas, o animal do instante. Quero ainda tentar o que ninguém fez, olhar para o imperdoável, gastar como um louco as possibilidades. Quero sobretudo o que me assusta, o abismo em segredo, o interior das suas pernas, a maneira como o suor escorre no centro do seu peito, e a forma impossível como você se exprime quando vem. Me disseram que o seu beijo matava e eu não liguei, há alguma maneira de sair com vida de você?


Estudou Linguística na Universidade Nova de Lisboa, entre 1998 e 2002. Começou por ser, em 1997, chefe de redacção da revista vimaranense “Estádio D. Afonso Henriques”. Em 2001 começou a escrever para o jornal “A Bola” e em 2003 também para o jornal “Desportivo de Guimarães”. Publicou crónicas de ficção e reflexão no jornal “Povo de Guimarães” entre 2003 e 2007. Entre 2005 e 2007, foi chefe de redacção e editor do jornal “Global Minho & Porto”. Entre 2003 e 2008 foi também redactor do jornal “Inside ”, nas secções de cultura e desporto.




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