Resenha #270 - A Fofa do Terceiro Andar!






Título: A Fofa do Terceiro Andar
Autor: Cléo Busatto
Editora: Galera Record (Selo Galera Júnior)
Ano: 2015
Especificações: Brochura |144 páginas
ISBN9788501104595
 Sinopse
Primeiro juvenil da escritora Cleo Busatto, autora de mais de 20 livros, a maioria infantis. A fofa do terceiro andar é a história de Ana, uma menina acima do peso, mas cheia de opinião, que se muda para uma escola nova, começa a sofrer bullying dos colegas e acaba desenvolvendo uma depressão. Quando o ano recomeça, ela muda de turma e conhece um menino que não se importa com o peso dela e eles começam a namorar. A família dele é meio hippie e ele ensina a ela que, mesmo fora dos padrões ela é bonita.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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A gente pensa o tempo todo e o tempo todo cria ações e situações que podem levar ao sofrimento ou a harmonia. Vivemos os dramas e as dores da vida como se fossem para sempre, por isso sofremos tanto. Se pensarmos que tudo passa, inclusive nós, fica mais fácil viver.”

O nome deste livro descreve com muito carinho o sentimento que o leitor leva a ter pela protagonista. Ana é a amiga fofa (e não no sentindo por ser gordinha e sim pelo carinho que demonstra) que todo mundo gostaria de ter. Engraçada, meio maluca e muito sensível, Cléo Busatto criou uma personagem a quem com certeza você vai querer abraçar e nunca mais largar.

Em A Fofa do Terceiro Andar iremos conhecer Ana, uma jovem adolescente que nunca se importou muito com adjetivos, principalmente com os que parecem sempre remeter sua forma física. As pessoas da sua vida tem a mania de lhe chamar de fofa, mas não em um sentido figurativo, para descrever uma pessoa legal, bondosa, sentimental, e sim no sentido físico. Conforme sua vida vai passando, as brincadeiras que antes não pareciam lhe afetar, agora afetam, e entrar no ensino médio, sendo conhecida como a balofa da turma não é nada fácil. Como superar todas as trapalhadas que parecem lhe perseguir? Depois de um episodio extremamente traumático, Ana resolve se isolar, sem saber qual rumo deve tomar em sua vida. Até quando uma pessoa pode aturar as “brincadeiras” alheias? E quando isso realmente começa a te afetar? Seria uma paixonite adolescente suficiente para fazê-la dá a volta por cima?

Não aumente as frustrações, tampouco os contentamentos. Não se deixe levar pela apatia, nem pela euforia, porque tudo é passageiro. Uma atitude inteligente é não dar ouvidos para o que os outros acham, pensam. Muito menos dar atenção a quem só nos desmerece. Perceba o que e a quem ouvir.”

A verdade é que criei um monstro dentro de mim: o medo. Ele me impede de me atirar nas coisas. Tremo só em pensar em me expor, errar, ser alvo de gozação.”

Ao contrário do que você possa vir a achar, A Fofa do Terceiro Andar não é aquele livro “granadinha” em que você sempre sofre. Pelo contrário, é uma leitura super leve e engraçada. Narrado em primeira pessoa, temos acesso a intimidade de Ana, e nesse quesito a autora acertou em cheio. Tendo um narrador totalmente voltada a visão da protagonista, o livro vira uma espécie de diário, cheio de passagens meio filosóficas e piadinhas que lhe roubam em algum momento um sorriso. Dividido em três partes (Baleia, Fênix e Urso), embarcamos no mais profunda da personagem, conhecendo de perto seus anseios, desejos e medo, e mesmo curto, a narrativa não se torna rasa. Busatto conseguiu fazer um apurado bem definido de todos os elementos da trama, sem deixar a desejar um só instante. É incrível o quanto torcemos e sofremos ao começo com as dúvidas de Ana. Identifiquei-me tanto com o texto, que quase marquei o livro todo de tantas citações que gostei. Ana tem uma visão jovem e imatura que com certeza vão fazer o leitor se identificar de alguma forma, seja pela sua perseverança em querer ser mais do que a “fofa”, seja nos momentos em que se deixa levar pelos baques da vida.


Personagem é mais um quesito extremo que a Busatto acertou. Como mencionei, Ana como narradora foi a peça chave para fazer do livro a narrativa carinhosa e até meio melosa por qual todos querem se apaixonar. Apesar de parecer um romance bobinho, a temática empregada pela autora é extremamente séria, e na pele de Ana, vivenciamos o pior da rotulação de um individuo. São as cenas que a personagem vive, em grande parte no ambiente escolar, que fazem da narrativa algo tão mais verdadeiro e da protagonista alguém muito mais palpável. O único ponto negativo (e não tão negativo assim, já que o foco da história é a transição de Ana) foi que devido ao narrador está fechado extremamente sobre sua própria visão. Desse jeito, os outros personagens acabam meio que se ofuscando, e tornam-se presenças fantasmagóricas, onde são apenas nomes e nada mais. A mãe de Ana é a que chega mais perto de não ser esse fantasma, devido a sua maior participação no romance. Entretanto, isso não influência no carinho que o leitor vai adquirido pela menina conforme o decorrer da trama.

Acho que dificuldade em se relacionar torna a vida complicada e criam esse tipo de a dor [...] Não gosto de falar em lugar cheio de gente. Não gosto de falar em público e prefiro os cantos aos lugares com muita evidência.”

Eu quero escrever, escrever, escrever, como se isso pudesse arrancar de dentro de mim esta coisa pesada que enche meu peito.”

A Fofa do Terceiro Andar era minha aposta de outubro nos lançamentos da Editora Galera Record e com certeza não me decepcionei. Com uma edição simples e bonita, o livro é engraçado e extremamente cativando, presenteando o leitor com uma linda história de superação, perseverança e amor, onde a autora retrata a simples mensagens: “somos mais do que as aparências mostram”. Em uma sociedade visual e extremamente capitalista, que vive a estabelecer normas de beleza, comportamento e etc, o que vale, realmente, é tentar ser feliz, e pelo menos foi isso que aprendi com Ana e sua válida e emocionante superação. Se houver um mínimo de possibilidade, leia, pois igualmente a Extraordinário, da autora R.J Palacio, é um livro pra te engrandecer como pessoa.





Cléo Busatto é artista da palavra. Como escritora publicou seu primeiro livro Dorminhoco, em 2002, e não parou mais. Autora de mais de 20 obras, entre literatura para crianças, teóricos sobre oralidade e CD-ROMs, que venderam em torno de 190 mil exemplares. Eles fazem parte de programas de leitura e catálogos internacionais. Colaboradora de jornais e revistas especializados. Cléo Busatto é representada pela VB&M Litag.





3 comentários

  1. Olá David!
    Adorei a sua resenha e conhecer esse livro! Gosto muito de livros onde as personagens saiam do padrão de beleza imposto e esse parece ter uma história super cativante.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas

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  2. Respostas
    1. Oi Cléo!
      Ahhh, obrigado!
      Eu que adorei a leitura <3 Sua personagem é muito fofa.

      Abraços
      David
      http://www.olimpicoliterario.com/

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