Resenha #269 - Por um Toque de Ouro (Trindade Leprechaun)!






Título: Por Um Toque de Ouro
Coleção: Trindade Leprechaun
Autor: Carolina Munhoz
Editora: Rocco (Selo Fantástica)
Ano: 2015
Especificações: Brochura |368 páginas
ISBN: 978-85-68263-22-8
 Sinopse
Depois do bem-sucedido O Reino das vozes que não se calam – criado em parceria com a atriz Sophia Abrahão e desde o lançamento na lista dos mais vendidos de ficção nacional da Nielsen – a escritora Carolina Munhóz apresenta Por um toque de ouro, que abre a Trindade Leprechaun, sua primeira trilogia, inspirada nas lendas irlandesas. Ambientado na Dublin contemporânea e protagonizado por uma jovem ligada ao mundo fashion que descobre ser herdeira de uma rara linhagem de seres mágicos considerados guardiões de potes de ouro, Por um toque de ouro é um romance de fantasia urbano e contemporâneo.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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A escrita de Munhoz é culta, promissora e envolvente. O mesmo não se pode dizer de Por Um Toque de Ouro. A obra que mostra-se tão promissora, apresentando uma mitologia diferente e curiosa, acaba focando nos pontos errados e transformando a narrativa em uma grande decepção. Para um primeiro contato com a estrutura roteirística da autora, minha impressão foi a pior possível.

Em sua trama conhecemos Emily, uma inegável patricinha que sempre possuiu o grande dom da sorte. Sua vida não foi a mais instigante, mas sempre cercada pelo dinheiro e o luxo, a garota sabia bem como aproveitá-la ou como agitá-la. Tudo muda quando Emily é quase estrupada. Em uma noite normal dentro de seus padrões, a menina quase é abusada enquanto participa de uma festa e para escapar do agressor acaba repelindo-o sem nem mover aos mãos, jogando-o do outro lado do banheiro. Daí em diante, a garota começa a suspeitar de suas origens, de sua própria vida. Seria Emily mais do que a menininha mimada que todos parecem ver? Que outros segredos mais profundos escondem a famosa e sortuda família O' Connell?

Trindade Leprechaun, trilogia escrita pela autora nacional Carolina Munhoz apresentou, como disse acima, uma temática diferenciada e uma mitologia muito atrativa. A autora que ficou famosa pelo universo das fadas, volta a narrar outra história, dessa vez, apostando nos Leprechaun, criaturinhas que segundo a mitologia transmitiam sorte e guardavam seus potes de ouro no final do arco-iris. Em Por um Toque de Ouro focamos exatamente nesta temática, narrando os acontecimentos em terceira pessoa. Munhoz possui uma escrita culta, cheia de cartadas históricas interessantes, onde o leitor realmente aprende muito sobre a cultura e a cidade a qual está se inserindo. O fato de ter detalhado tão bem diversas cenas do livro foi o ponto chave que me fez continuar. Munhoz não pecou na escolha de termos ou ideia, e a centralidade da obra ficou muito interessante, tendo em vista a paisagem irlandesa que é exatamente igual a sua sutil e rica narrativa. O mesmo já não posso dizer de sua personagem protagonista e narradora. Emily é tudo, menos cativante. A personagem que deveria ser o pilar de acolhimento e identificação do leitor, acaba se tornando uma espécie de menininha mimada e sem escrúpulo, onde em diversos momentos ela nem ao menos pareceu-me a mocinha na história. Chata, egoísta e egocêntrica, me irritei não só com a maneira que ela tratava todos, como também com as futilidades as quais dava importância, esquecendo valores mais verdadeiros como amizade, amor e fidelidade. Em poucas palavras Emily é rica, bonita e esnobe, tudo que menos me atrai em uma personagem, principalmente estando na posição em que ela esta, tendo toda a trama voltada para si. Mas não foi apenas isto que me chateou. Ao final do livro (que eu torci muito para melhorar), a personagem continua aguada, seca e totalmente indiferente a todas as provações que enfrenta, sem amadurecimento e aprofundamento, seguindo como a pessoa rasa que se mostra logo ao inicio.

O enredo tinha tudo para deslanchar. Como falei, Munhoz estudou bem sobre o que queria contar, contudo, conforme as páginas vão se passando, deu a impressão que a autora perdeu o ritmo da sua própria narrativa e o que começou de um jeito, terminou de outro. Além disso, o fato de optar focar na vida nada interessante e mega irritante da personagem, tornou a mitologia (ponto que ela deveria ter melhor explorado) rasa e quase nula. O livro que começa como uma espécie de sobrenatural, termina parecendo um romance bobo e adolescente, do mais clichê possível, sem ter, claro, a minha compaixão. Acho justo, senão, deixa pontas soltas. Sendo uma trilogia, é evidente que mais elementos serão trabalhados nos próximos dois livros, mas pra mim a história chegou ao fim. Além da protagonista rasa, os personagens secundários tornam-se tão rasos quanto ela. Até mesmo o vilão, apresentado nos últimos instante para a protagonista (claro que a essas alturas eu já tinha concluído com vitoriosa perfeição quem era), possui uma base extremamente fraca e previsível para antagonizar a trama. Infelizmente é preciso dizer que a beleza da obra, não compensa a falta de conteúdo. Temáticas tão mais interessantes poderiam ter sido levantadas se o tempo não tivesse sido gastado em festas, pegação e reclamações da coitada, porém rica e esnobe, Emily.

Por um Toque de Ouro foi sem dúvidas uma imensa decepção. Esperei mais não só do enredo, quanto dos personagens. Humor negro batido e fraco, trama e mitologia mal abordado e ainda uma protagonista sem sal e extremamente irritante, com um ego muito maior que a própria obra poderia descrever. A história não é se não suportável, e isto dependendo muito do humor do leitor. Pessoalmente. prefiro não mais me arriscar. Gostei da escrita da autora, e isso é inegável, e também do seu conhecimento geral do plano de fundo que envolve toda a trama, mas me decepcionei com o rumo dos acontecimentos, previsíveis, e com a pouca afetividade e até mesmo humanidade dos personagens, inteiramente superficiais. 




26 anos – é jornalista e romancista, além de integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo. A autora foi eleita como melhor escritora pelo Prêmio Jovem Brasileiro, teve seu último livro eleito como melhor do ano pela Revista Atrevida e ganhou por Vox Populi a categoria “Author” do prêmio americano Shorty Awards.




Um comentário

  1. Olá David!
    Adorei a sua resenha. É a segunda resenha sobre esse livro que leio e que não gostou do livro :(
    Bjs
    EntreLinhas Fantásticas

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