Resenha #288 - Baía Invernal!





Título: Baía Invernal
ColeçãoSaga da Terra Conquistada
AutorJ. Barton Mitchell
Editora: Jangada
Ano2015
Especificações: Ebook |98 páginas
ISBN9788564850880
 Sinopse
Mira Toombs fugiu da Cidade da Meia-Noite, deixando para trás sua casa e seus amigos, numa tentativa desesperada de reparar os danos causados pelo Artefato feito para enfraquecer a Estática. Essa é uma viagem que vai levá-la a Baía Invernal, uma cidade nostálgica, construída sobre um lago congelado. Um lugar de segredos e conspirações – e ainda mais perigoso para Mira do que a Cidade da Meia-Noite. Baía Invernal é o último reduto do Mundo Anterior, um lugar onde os artefatos das Terras Estranhas são proibidos, e onde ser Bucaneiro significa uma sentença de morte. Para conseguir o que precisa, Mira é obrigada a fazer uma troca arriscada. Algo que vai levá-la para os recantos gelados da cidade, onde seu maior e mais temerário segredo é guardado por uma Máquina letal, que, segundo dizem, apenas uma pessoa pode desarmar. A única pessoa cuja presença não é permitida entre as muralhas bem protegidas da cidade.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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"Lembre-se quais são seus limites"

J. Barton Mitchell consegue ser brilhante até nos contos em que se aventura em escrever. Em Baía Invernal, nos vemos novamente fisgado pelo magnifico cenário pós-apocalipse criado pelo autor, trazendo não só, mais do passado de uma das minhas personagens femininas favoritas, Mira Toombs, como também acrescentando mais cativantes personagens a lista de suas criações bem executadas. Quer uma ficção cientifica aprovada sem qualquer problema? Leia Cidade da Meia Noite e conheça essa aventura cientifica fantasticamente sedutora.

O conto se passa antes do primeiro livro da trilogia, Cidade da Meia Noite. Nele, vemos que Mira deixou seu antigo lar a pouco tempo, e desesperada, tendo um alvo nas costas, ela precisa se arriscar em uma empreitada que a levará até a perigosa cidade de Baía Invernal. Sendo ela uma Bucaneira (meio que uma feiticeira na trama criada por Mitchell), a cidade é extremamente proibida para que ela possa entrar, mas o artefato que procura só pode ser encontrado lá, e para isto, terá que correr o risco e colocar sua vida em jogo mais uma vez. Mal sabe ela que uma pequena milicia está elaborando um inteligente plano para conseguir um outro objeto poderoso, escondido e protegido pela própria cidade, e a única chance de vencer esta proteção, e tendo uma pessoa como Mira, capaz de trabalhar com os estranhos objetos das Terras Estranhas. Até onde, porém, ela deve confiar nas pessoas que lhe cercam? Existe realmente uma opção de escapar com vida desta empreitada?

Como puderam ver no primeiro paragrafo desta resenha, estou novamente anestesiado pela narrativa de Mitchell. Sua escrita parece totalmente íntegra, jamais oscilando; seus personagens crescem de uma maneira tão apavorante de um livro para o outro que é impossível não notar tal amadurecimento. Para quem leu os dois primeiros volumes da trilogia (o terceiro também já foi publicado aqui no Brasil pela Editora Jangada), é inevitável não sentir certa nostalgia revendo nossa amada Mira em uma de suas empreitadas individuais, e de certa maneira, também, não ansiar por mais. Com 98 páginas, narrado em terceira pessoa, o conto é pequeno, comparada a sede de detalhes que o leitor terá. Mitchell tem uma narrativa cativante, bem medida, sem exageros tantos nas cenas descritivas, quanto nas cenas de ação. Seu romance é sempre muito elaborado e inteligente, de maneira que explora as diversas facetas que o ser humano pode apresentar, desde as boas, quanto as más. Além disso, são sempre as reviravoltas que a história adquiri que tornam tudo mais emocionante e sufocante.

Em quesito personagem o autor não peca. Embora já tenha desenvolvido muito da protagonista nos livros centrais da trilogia, Mitchell sempre acrescenta mais informações sobre ela, reforçando nossa imagem de Mira e tornando-a mais vívida. O mesmo pode-se dizer dos personagens que adentraram apenas no conto. Como mencionei acima, fiquei encantado pela esperteza, certa frieza e sinceridade que são expressos na personagem Reiko. Mesmo se mostrando ao primeiro momento como antagonista, é impossível não se cativar por ela, principalmente quando conhecemos mais de sua história, e automaticamente de sua essência. Não apenas Mira, como ela, tem um crescimento devastador durante o decorrer destas 98 páginas, e guardam os diálogos mais belos, ilustrados pelos cenários mais atrativos. Em um mundo dominado por extraterrestres, o pior vilão pode não ser eles, mas sim os próprios humanos. E este é mais um quesito que Mitchell trabalha excelentemente bem, não atribuindo atos heroicos a ninguém em particular, mas sim retratando a pura e evidente sobrevivência. 

Baía Invernal é um conto independente, e como tal, pode ser lido sem que o leitor tenha degustado da série principal ainda. Como seus fatos retratam acontecimentos ocorridos antes da trama principal, não terá problema também com spolers, e embora algumas referências feitas certos momentos possam levar o leitor que leu os dois primeiros volumes a criar ligações, o novo leitor não sentirá qualquer prejuízo e entenderá tudo com perfeição. Eu até indico que quem não conhece, leia primeiramente o conto, para poder ter um primeiro contato com a narrativa do autor e provar para vê se realmente gosta.

Ps: caso tenha interesse, o livro está disponível no sita da livraria Saraiva gratuitamente para que você possa adquirir e ler.




É escritor e criador de ficção-científica especulativa, bem como fotógrafo, viajante, leitor, e as noites combatente do crime ocasional.








3 comentários

  1. Isso é que uma boa recomendação! E o melhor: está disponível gratuitamente! hohoho


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  2. Oi David!
    Não conhecia o conto nem a série, e fiquei interessada, parece ser uma estória fantástica e cheia de aventuras. :)
    beijos ♥
    nuclear--story.blogspot.com

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  3. Oi, David!
    Eu não conhecia a obra, nem o autor, nem nada, mas fiquei bastante intrigada para começar a ler tudo pois esse conto me chamou bastante atenção.
    Beijos
    Balaio de Babados

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