Resenha #299 - Gone: O Mundo Termina Aqui!






Título: Gone: O Mundo Termina Aqui
ColeçãoGone
AutorMichael Grant
EditoraEditora Galera
Ano2010
Especificações: Brochura |510 páginas
ISBN9788501086358
 Sinopse
Em um piscar de olhos, todos com mais de 14 anos desaparecem. Restam adolescentes. Pré-adolescentes. Crianças. Nenhum adulto. Nenhum professor, policial, médico ou responsável. Linhas de telefone, redes de televisão e a internet param de funcionar. Não há como pedir ajuda. A fome é intimidante e a violência começa. Os animais parecem estar se transformando, e uma criatura sinistra está à espreita. Os próprios adolescentes estão ficando diferentes, desenvolvendo novos talentos: poderes inimagináveis, perigosos e mortais, que crescem dia após dia. É um mundo novo e assustador. É preciso escolher um lado — e a guerra é inevitável.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Acredito no livre-arbítrio. Acho que nos tomamos nossas decisões e realizamos nossas ações, e elas tem consequências, O mundo é o que fazemos dele.

Michael Grant apresenta um pensamento até certo ponto confuso, mas muito inteligente. Em Gone: O Mundo Termina Aqui, primeiro volume de sua série distópica de mesmo nome, nos vemos jogado em muita aventura, tensão e cenas que farão, decididamente, seu estômago revirar.

De forma abruta, todos as pessoas com mais de 14 anos desaparecem, em um belo dia comum. A cidade de Praia Perdida é assolada pela falta de regras e de uma figura autoritária, sendo que os pré-adolescentes e as crianças se vêem perdidos entre essa verdadeira mudança em suas vidas. No meio desta multidão, Sam Temple, enfrenta não só as mudanças de seu corpo, como também experiências que a dias vem lhe perturbando. Ninguém sabe, mas ele tem dons... Pode fazer coisas que os outros não podem. 

De uma hora para outra, isso parece o mais apavorante que se pode esperar. Ou pelo menos é o que ele imaginava. Quando torna-se herói, após uma tentativa frustada de evitar uma tragédia durante um incêndio. Sam descobre que existem mais como ele... Não apenas humanos, mas animais. Tudo em Praia Perdida está passando por uma espécie de processo evolutivo. Mas até onde tudo isso pode ser considerado natural? Em um mundo sem leis ou limites, até onde a humanidade pode exercer certos atos cruéis e ainda ser chamado de humano? Que mistérios sondam a redoma que cercou toda a cidade e transformou a existência dessas pessoas em um verdadeiro mistério?

Grant tem um pensamento crítico e seco sobre a sociedade. Em Gone vislumbramos o mais cruel e realístico cenário para se confraternizar uma provável guerra. Trazendo referências que envolvem temáticas já bem citadas em diversos seriados e na própria literatura (estilo The Walking Dead, Batle Royale ou então Lost) a obra tranca seus personagens em um ambiente onde aparentemente o importante é sobreviver. E dentre essa sobrevivência, os limites de ideias e ego são testados, levando o leitor ao máximo da adrenalina.

Narrado em terceira pessoa, este talvez seja o ponto mais confuso da obra. O livro parte do ponto de diversos personagens, desde Sam, nosso majoritário protagonista; secundários, como os amigos dele, Quin e Astrid, a antagonistas, como Caine. Seus capítulos são totalizados em horas, desde a contagem em que a trama começa se desenrolar, e embora este fato tenha sido muito interessante, sendo que autor explora bem todos os personagens, aprofundando o leitor na história individual de cada um, a certo momento, tornou a leitura confusa. A falta de respostas e o conjunto de diversos mistérios não contribui para que a leitura fluísse como imaginei, e dessa maneira, Gone foi um tanto quanto decepcionante, levando-se em consideração que esperava mais. Como falei, a ideia do autor é inteligente, mas o encaminhamento que ele deu a narrativa, não foi das mais positivas. O primeiro livro tornou-se nada menos, nada mais que um apurado de dúvidas e mais dúvidas, onde, mesmo após seu fim, resposta alguma foi encontrada. Por ser uma série (tendo cinco volumes publicados pela Editora Galera Record aqui no Brasil até o momento), devo pensar que encontremos as respostas nos volumes seguintes, como acontece e em Os Legados de Lorien. Na realidade, o fato de não conter qualquer menção ao mistério central, me fez lembrar muito a experiência que tive com o Eu Sou o Número Quatro, uma série que comecei lendo de forma morna e hoje é uma das minhas favoritas. Por esta razão, pretendo dá continuidade a esta, na torcida que o segundo, intitulado Fome, seja melhor.

"Às vezes a pior coisa é o medo"

Os acontecimentos do começo da obra também não são dos mais interessantes, a história só prende o leitor realmente da página 200 em diante, quando os personagens vão se interligando, e os pontos de vistas da narrativa, antes separados, começam tomar um sentindo totalizado. 

Grant também teve o brilhantismo de criar personagens verdadeiros, heroicos e em alguns momentos, previsíveis. Dentre todos, Lana, uma das personagens que surgem depois, e ganha uma total importância na trama, foi a minha preferida. Sua história não só foi a mais bem construída, como o aparecimento de seus dons se deu da forma mais sugestivamente "normal" dentro da construção literária de Grant. Gostei da personagem pela sua personalidade bondosa, sempre disposta a ajudar, seja amigo ou inimigo, mas também adorei seu lado mais durão, persistente, mesmo quando, em alguns momentos da narrativa, imaginei que ela não poderia conseguir. Lana me garantiu os capítulos de maior surpresa e curiosidade.

O autor originalizou também vilões autênticos, verdadeiros. Ao se aprofundar sobre a história individual de cada, provamos que a presença da psicologia nos personagens de Grant tem grande importância, não só na construção da personalidade dos antagonistas, que sofreram algum trauma quando crianças, como na maneira de se portar de seus heróis, sempre pesando o mundo sobre suas costas. Outra importância característica do romance é o aparecimento e referencia a religiosidade. Grant trabalha com o impossível, e nem por isso, seus personagens deixam de ser crentes na religião que são devotos, de forma que a qualquer instante, você pode ver eles orando ou clamando por Deus. Ora este ponto pareceu reforçar mais uma vivacidade ao personagem, ora mostrou-se como uma espécie de crítica ao fanatismo religioso. O autor faz um jogo engraçado entre místico e cientifico, debatendo os dois de forma espontânea e descontraída. Grant também trabalha muito com ironia, ressaltando a visão social que estes personagens tem não só na realidade deles, mas trazendo para nossa, abrindo espaço para tratar de autismo e outros temas como bulimia ou bullying. 

Gone provavelmente vai conquistar o leitor em suas cenas de ação, inconfiáveis, chocantes e extremamente angustiantes. Não espere nenhuma historinha de super heróis para crianças. Seu desenvolvimento vai da pura cena de violência, aos momentos mais críveis imaginais. Tendo uma edição simples, a obra ainda conta com o clichê romântico, sendo ele mais um ponto fraco (seu desenvolvimento aconteceu rápido demais). A história é contada com a mesma intensidade com que tudo acontece, desde a velocidade dos eventos, ao desenvolvimento da trama. Complicado na realidade é defini-lo. Como disse, Gone: O Mundo Termina Aqui é um livro introdutório, que têm os passos certos para crescer mais. Ou pelo menos é isto que espero.



Michael Grant é o co-autor das séries Animorphs e Everworld, como também criador e autor das séries Gone e The Magnificent 12. Michael cresceu numa família militar, frequentando dez escolas em cinco estados e três escolas na França. Quando adulto, se tornou um escritor em parte porque "era um dos poucos trabalhos que não iria prendê-lo a um lugar específico". Ele vive em Irvine, na Califórnia, com sua esposa, Katherine Applegate, seus dois filhos, e muitos animais de estimação.



3 comentários

  1. Olá :)
    Que pena que você não curtiu tanto o livro, parece ter uma história incrível, eu realmente não vou ler a série devido ao fato de me ouvir falar que é muito pesada, mas acredito que as dúvidas que o autor suscitou neste primeiro livro vão ser respondidas no decorrer da série, ótima resenha!

    Beijos,
    http://livrosentretenimento.blogspot.com.br/

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  2. Bom, como a série é grande, faz sentido o primeiro volume ser apenas uma apresentação, uma introdução. No entanto, acho que é um livro grosso e se não tem muita ação acaba desanimando mesmo. Eu gostei bastante de Gone, mas tô mega travada com Fome, li as primeiras páginas e nunca mais. Tô a procura da fome de ler o livro ainda hahahah

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem resenha nova no blog de "A 5ª Onda", vem conferir!

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  3. Gone e Fome são ótimos livros (mesmo com alguns deslizes que passam quase que despercebido devido o seu entrosamento com a trama), mas se comparados a Praga, Medo e Luz (ainda não lançado no Brasil) eles tem um tom tão infantil. Mentiras é meio que um marco na serie, é nele em que os personagens param de querer entender o LGAR (algo quase impossível que você só descobre nos capítulos finais de LUZ) e passam a viver... Isso alavanca o livro, todos os outros livros vão aparecer "coisas" novas que de certa forma vão piorar a vida dos habitantes do lgar, fora os vilões que não avisam quando vão atacar... E outra, fiquei bem feliz pois a Sony vai começar a produzir a serie que vai ao ar no fim do ano.

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