13 fevereiro 2016

Resenha #34 - Uma Vez (Eva Vol 2)!






Título: Uma Vez
ColeçãoEva
AutorAnna Carey
Editora: Galera Record
Ano2015
Especificações: Brochura |288 páginas
ISBN9788501092762
Sinopse
Pela primeira vez desde que fugiu da escola, muitos meses atrás, Eva pode dormir tranquila. Ela está morando em Califia, um refúgio para mulheres, protegida do aterrorizante destino reservado às meninas órfãs na Nova América. Mas a estabilidade tem um preço: foi obrigada a se separar de Caleb, o garoto que ama. Mas, quando fica sabendo que ele está em perigo, abandona tudo para encontrá-lo e acaba caindo em uma armadilha. Agora, presa na Cidade de Areia e vigiada 24 horas por dia, Eva descobre um segredo de seu passado que não poderia ter imaginado nem em seu pior pesadelo.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Eva conseguiu chegar a Califia. Ela agora está segura, mas o mundo lá fora ainda lhe caça. Cercada por uma sociedade machista, tentando fugir do controle de um rei impiedoso, a garota tenta sobreviver nesta pequena ilha formada só de mulheres, mas mesmo após meses, seu coração ainda clama pelo garoto que salvou sua vida: Caleb. Onde ele está? Será que está vivo? Será que ainda vai vê-lo na vida? Quando um inesperado aviso chega aos ouvidos de Eva, falando sobre a provável prisão de Caleb, sendo ele sentenciado a morte, ela não tem outra escolha se não a retornar para a cidade, invadir o palácio e salvar seu amor. Mas estaria ela disposta realmente a tudo isso? Quanto custa amar em um mundo onde homem e mulheres deveriam ser rivais?

Uma Vez é uma sequência irresistível carregada de um apelo emotivo e romântico, fazendo o leitor transbordar de sentimentos a cada página.

Narrado em primeira pessoa, a visão do romance, nesse segundo volume, não foi das melhores. Uma Vez foi um livro que tive muito anseio de ler devido as reviravoltas ocorridas ao final do primeiro, mas confesso que boa parte da leitura foi um tanto quanto parada e sem muito foco. Como a trilogia centra em um mundo onde a guerra dos sexos foi levada a um nível ainda mais crítica, neste segundo volume não vemos com tanta clareza esta distinção. A temática que Carey trabalhou tão bem no primeiro, não se apresenta da mesma forma no segundo, apelando para o lado mais romantizado da obra e enchendo páginas e páginas de pura bajulação e tensão sexual entre os protagonistas Eva e Caleb. Desta forma, acredito que o desenvolvimento do livro teria sido mais proveitoso se tivesse aparecido em terceira pessoa, não só porque o contato com a narradora não aprofunda muito mais nossa visão sobre ela (já que não acontecem grandes revelações), como também não ganhamos maior amplitude sobre a sociedade explorada pela autora. Embora ela venha sim abordar mais sobre a construção distópica de seu romance, os apelos do casal são tão maiores, que até essas características se mostram meio perdidas. Uma abordagem em terceira pessoa teria ampliado este leque e favorecido o aparecimento da visão de outros personagens que são importantes para a trama, sem dúvidas.

O melhor do livro está guardada nas retas finais de sua leitura, que se torna algo totalmente sufocante e desesperador. Enquanto que em 200 páginas a história permanecesse viável, leve e suportável, ao declínio da 201, as coisas começam a esquentar e revelações bombásticas aguardam o desfecho de todos os eventos. Diferentemente do volume anterior, este não teve tantas peripécias, contudo, guardou algumas surpresas e certos momentos entre os personagens que acariciam o coração do leitor, não só pela tocante emotividade da cena, como pela maneira expressiva e singela da narrativa de Carey. Não é um livro ruim, reforço, só mais parado do que eu esperava. Para um YA distópico aguardava mais de uma continuação.

A construção dos personagens da autora não foi das mais favoráveis desta vez também. Embora, como tenha dito, tenhamos conhecido bem Eva no primeiro livro, nesse segundo ela mal trabalha os outros, e a que chega mais perto de ser mencionada e sua amiga, Pip, e mesmo assim, surge em lembranças. Suas características individuais não aparecem, já que aos secundários quase nem voz é dada. Dessa forma, aparecem muitos personagens que ficam soltos pela narrativas, conhecidos apenas por nome. E alguns casos nem por nome. A este exemplo temos o Rei, nosso antagonista. Não conhecemos suas motivações, não conhecemos seus desejos e menos ainda seu nome. Por todo o primeiro volume ele não passa de uma presença citada, o que tornou o mistério por trás de seu personagem algo instigante. Nesse segundo, a fórmula não se repete. Carey quis, talvez, continuar sobre a ilusão de um ser indiferente, furtivo, o que falhou miseravelmente. Não só pela sua atuação como personagem, como também pelo pouco conhecimentos que vamos adquirindo sobre ele. São 287 páginas que poderiam não ter só explorado melhor suas motivações, como também lhe dado mais personalidade.

Além disso, senti muito a falta de falar do aspecto central da trama: a briga dos sexos. Enquanto que no primeiro livro, Eva, essa rixa fica em evidência a obra toda, gerando boa parte dos conflitos, neste segundo volume as coisas não acontecem da mesma forma, de maneira que a cidade que eu imaginava, controlada por homens, trás uma mescla bem variada de mulheres. Embora elas sejam oprimidas, algumas possuem muita voz, e isso se choca com a realidade expandida pela autora no livro um, o que também me chateou um pouco. Pareceu-me que ela não soube trabalhar o próprio enredo, perdeu-se em tanto romance, e desenvolveu outra história dentro da história (confuso ne?).

Uma Vez é um realmente um romance de faces, categorizado em duas especialmente grandes: uma leve demais, outra agitada demais. Com uma pegada bem semelhante a trilogia A Seleção (eu senti isso principalmente no segundo livro), a obra teve um bom encaminhamento, mas aproveitou mau seus personagens e sua trama central. Tendo o ponta pé inicial para o desfecho, espero que o último compense todo o romantismo exagerado deste.



Anna Carey já trabalhou embalando presentes, pintando rostos, editando livros infantis e como garçonete, babá e vendedora (de sofás). Ela se formou na Universidade de Nova York e fez mestrado em ficção na Universidade do Brooklyn. Atualmente mora em Los Angeles e escreve livros para jovens.





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