27 março 2016

Resenha #43 - Príncipe Mecânico (As Peças Infernais Vol 2)!







Título: Príncipe Mecânico
ColeçãoAs Peças Infernais
AutorCassandra Clare
Editora: Galera Record
Ano2013
Especificações: Brochura | 406 páginas
ISBN: 9788501092694
 Sinopse
Tessa Gray não está sonhando. Nada do que aconteceu desde que saiu de Nova York para Londres (ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, perseguida por um exército mecânico, ser traída pelo próprio irmão e se apaixonar pela pessoa errada) foi fruto de sua imaginação. Mas talvez Tessa Gray, como ela mesma se reconhece, nem sequer exista. O Magistrado garante que ela não passa de uma invenção. Para entender o próprio passado e ter alguma chance de projetar seu futuro, primeiro Tessa precisa entender quem criou Axel Mortmain, também conhecido como Príncipe Mecânico.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Coloque-me feito um selo em teu coração, feito um selo em teu braço, pois o amor é tão forte quanto a morte.

Tendo novamente a Londres vitoriana, o cenário do segundo volume da trilogia meio steampunk de Cassandra Clare se desenrola. Com elementos de uma boa fantasia, Príncipe Mecânico é uma continuação envolvente, cheia de charme e marcada por uma época clássica e altamente sedutora.

Tessa continua refugiada no Instituto. Depois de ser salva das Irmãs Sombrias, traída pelo irmão, e quase morta pelas maquinas do Magistrado, ela continua vivendo na dúvida: quem realmente é? Essa dúvida não poderia ter piorado, estando ela dividida entre o misterioso Will e o gentil Jem. Qual deles deveria escolher? O que fazer quando seu coração ama mais de uma pessoa ao mesmo tempo? O lar que pouco conheceu está correndo perigo. Quando uma guerra política para dominar o lugar começa, Tessa e seus amigos recebem um ultimato: encontrar Magistrado ao prazo de duas semanas. Mas depois de tantos meses sem notícia, conseguiriam eles sair do zero e alcançar este objetivo?

Definitivamente me apaixonei pelo cenário charmoso de As Peças Infernais. Superior a Os Instrumentos Mortais em todos os sentindo, os personagens de Clare se apresentam muito mais maduros e convictos, além de trazer um enredo muito mais crítico e atrativo. Diferentemente do que você possa imaginar, de uma série para  outra, percebe-se com clareza o crescimento na escrita da autora. Famosa pelas descrições extensas, em Príncipe Mecânico ou no volume anterior (Anjo Mecânico) isso não se tornou problema algum. Os capítulos se passam tão rapidamente que o leitor nem percebe que chegou ao fim, dividido entre ação e romance. E um senhor romance, convenhamos! Esqueça os triângulos batidos. Tessa, Will e Jem são um trio de personagens únicos, cativantes e extremamente memoráveis.

Narrado em terceira pessoa, neste volume, veremos mais do plano de fundo geral, tendo diversas passagens no romance que remetem a acontecimentos fora do campo de visão de Tessa, e isso foi ótimo, não só para conhecer mais de outros personagens, como também para começar a se inteirar dos que já havia conhecido. Se no primeiro visualizamos a construção do relacionamento de Tessa e Will, neste iremos presenciar sua aproximação a Jem, e torcer pelo casal, embora, ainda no fundo, mantenham-se uma fagulha de que Will tenha sorte no amor.

Se não há ninguém no mundo que se importe com você, será que você sequer existe?

A construção de personagens da autora é revigorante, sem dúvidas. Os protagonistas de As Peças Infernais não só cativam você, eles passam a viver verdadeiramente em sua mente, e a curiosidade de conhecê-los mais só cessa ao final de tudo. Além disso, o que realmente gostei nesta continuação foi o destaque que todos os personagens receberam, sem privilegiar nenhum em participar. Conheceremos mais sobre o passado de Will (e ainda continuo apostando minhas fichas nele), mais sobre Jem, e ainda teremos espaço para uma intricada rede de eventos que cercam personagens mais secundários, como a empregada Sophie, graciosa e muito especial, que rouba a cena no romance em mais de um momento, com sua personalidade forte e única.

Outro ponto interessante é o fato do vilão desta vez estar presente e não estar, ao mesmo tempo. O Magistrado fica pairando sobre toda a trama como uma espécie de presença onisciente e onipresente. Ele sabe e vê tudo, mas ninguém imagina quais são seus planos, seus próximos passos. Este fato em particular me chamou muito atenção, não só pelo clima de tensão que fica durante todo o decorrer da obra, já que o leitor imagina que ele vá saltar em algum momento sobre os heróis e causar uma reviravolta, como também para comprovar traços da própria personalidade do antagonista, digno dos mais famosos vilões que já tivemos o prazer de conhecer.

Tessa também continua cativante. Ela é a típica personagem que poderia ser assemelhada a mim, a você, e a todo leitor compulsivo. Trazendo diversas referencias a livros clássicos que lê ou tem vontade, ela não foge aos moldes de personagens famosos ou que não tenham surgido no universo literário, mas apresenta aspectos que a fazem tão especial assim que o leitor a conhece.

Príncipe Mecânico reforça a crítica a mecanização humana, como se fizesse alusão ao movimento da Revolução Industrial, mas não apenas isto. Nesta sequência, a ácida narrativa de Clare também ferroa com mais vivacidade a sociedade machista, trazendo a tona como era vista a figura da mulher em uma época domada pelo preconceito. No livro, suas personagens quebram este paradigma, mas não escapam do preconceito. E isto também faz do romance algo tão válido e diferente. As Peças Infernais é cereja do bolo que as séries inspiradas no mundo dos Caçadores de Sombra pedia. Com uma narrativa fluída, uma capa linda e um romance atrativo, vale muito a pena conhecer estes personagens inesquecíveis e amáveis.




Cassandra Clare nasceu em uma família americana no Teerã, Irã e passou grande parte de sua infância viajando pelo mundo com sua família, incluindo uma caminhada pelo Himalaia quando criança, que foi quando ela passou um mês vivendo na mochila de seu pai. Antes dos seus dez anos de idade ela morou na França, Inglaterra e Suíça. O fato de que sua família se mudava muito, ela encontrou familiaridade nos livros e estava sempre com um livro debaixo do braço. Ela passou seus anos de escola em Los Angeles, onde ela costumava escrever histórias para divertir seus colegas, incluindo um romance épico chamado "The Beautiful Cassandra", baseado na homônima história de Jane Austen.
Após a faculdade, Cassie viveu em Los Angeles e Nova York, onde trabalhou em várias revistas de entretenimento e até mesmo em alguns tablóides bastante suspeitos, onde ela relatou sobre a viagem ao mundo de Brad e Angelina e as avarias do guarda-roupa de Britney Spears. Ela começou a trabalhar no seu romance YA, Cidade dos Ossos, em 2004, inspirada na paisagem urbana de Manhattan, sua cidade favorita. Ela dedicou-se em tempo integral em sua ficção fantasia.
A primeira venda profissional de Cassie foi um conto chamado "The Girl’s Guide to Defeating the Dark Lord", em uma antologia Baen de fantasia humor. Cassie odeia trabalhar em casa sozinha, porque ela sempre se distrai por reality shows e as travessuras dos seus dois gatos, por isso ela geralmente se propõe a escrever em cafés e restaurantes locais. Ela gosta de trabalhar na companhia de seus amigos, que vêem que ela adere a seus prazos.
Atualmente, reside em uma antiga casa vitoriana em Nova Iorque com seu noivo, seus gatos, e lotes e lotes de livros. A triologia The Mortal Instruments tem sido citada em muitas listas de Best-Sellers



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