Resenha #329 - Noah Foge de Casa!







Título: Noah Foge de Casa 
AutorJohn Boyce
Editora: Seguinte
Ano2011
Especificações: Brochura | 200 páginas
ISBN9788535919493
 Sinopse
Noah tem oito anos e acha que a maneira mais fácil de lidar com seus problemas é não pensar neles. Quando se vê cara a cara com uma situação muito maior do que ele próprio, o menino simplesmente foge de casa, aventurando-se sozinho pela floresta desconhecida.
Logo, Noah chega a uma loja mágica de brinquedos, com um dono bastante peculiar. Ele tem uma história para contar, uma história cheia de aventuras que termina com uma promessa quebrada, uma história que vai levar o fabricante de brinquedos a pensar sobre o seu passado e Noah a pensar sobre aquilo que deixou para trás.
Em seu primeiro livro juvenil desde o best-seller O menino do pijama listrado, o escritor irlandês John Boyne cria um mundo que mistura contos de fadas com os problemas mais cotidianos de um garoto comum. Esta fábula leve e inteligente prende os leitores presos até o final com dois grandes mistérios: por que Noah fugiu de casa e quem é o fabricante de brinquedos?


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Noah é um garotinho excêntrico, amado pela família, mas que sempre se sentiu preso de algum jeito ao destino inevitável a vida do ser humano: a morte. Por essa e outras razões, com apenas oito anos, ele decide fugir de casa, abandonando tudo e todos. Em sua aventura, ele conhecerá novas pessoas, novos lugares, mas nenhum local será tão enigmático e diferente quanto a loja de brinquedos de um peculiar homem. Além de lhe ser familiar, a loja em si transmite um sentido de nostalgia; lar. Entre conversas reflexivas e piadas, a história desses dois personagens vai se construindo conforme seu passado vai sendo relembrado, e ao fim, Noah pode finalmente encontrar o sentindo que antes procurava.

"Suponho que todos nós de vez em quando fazemos promessas que não podemos cumprir

Noah Foge de Casa não é um livro para crianças, e isso fica em evidência desde as primeiras páginas. Apesar de ter uma diagramação infantil e uma história despretensiosa, o enredo guarda muito mais mistério durante seu desenrolar. Envolvidos pelo passado de seus personagens, John Boyce guia seu leitor por um caminho cheio de surpresas e estranhamentos, questionando filosofias da vida, e criticando em alguns momentos, a sociedade em si. A obra tem uma leitura leve e engraçada, mesmo com todo o teor dramático.

 

O ponto negativo pra mim foi o começo do livro, sendo muito confuso. Narrado em terceira pessoa, já iniciamos a aventura acompanhando os primeiros passos de Noah mundo afora. Infelizmente, a sucessão de fatos não reflete bem a essência ou a ideia que a sinopse da obra quis passar, apelando também para o gênero fantástico. Na verdade, a história é um grande reconto mais adulto e filosófico da obra “Pinóquio”, tendo um todo diferencial. E isso é muito interessante, embora a meu ver, o autor tenha falhado quando quis transmitir um ar mais adulto ao livro. Além disso, os personagens de Boyce, embora bem apresentados, não são muito bem explorados, deixando uma vagueza muito grande em sua personalidade, não tornando a intimidade com o leitor tão grande quanto o esperado. O que começa como uma história fantasiosa, cheia de fatos desconectados e vagos, transforma-se em um drama familiar, abordando os laços e a perseverança de encarar os problemas, aceitando alguns deles, como eles realmente são. 

A moral da obra em si é muito bonita e encantadora, e de fato faz com que o leitor queira descobrir como tudo isso irá terminar. Além disso, temos o fato de ter uma narrativa leve, fácil de ler. A confusão, por outro lado, ao começo da trama foi o principal erro em minha opinião, e o que torna a média do livro tão baixa. O enredo finalizou sem que os fatos, ocorridos em seu começo fossem explicados ou interligados aquele momento. Dessa forma, os eventos acabam ficando soltos, como se não tivessem um sentido maior e fossem apenas para ganhar tempo no desenvolver da trama. Pessoalmente não considero uma leitura inteiramente boa, já que finalizei a obra sem me apegar aos personagens, ou entender sua trama no completo, mas pode ser que seja apenas ignorância minha. No fim, talvez esses eventos, que a mim passaram tão despercebidos e sem nexo, possam ser a complexidade da obra. Pessoalmente, eu esperava mais, e algo diferente também.

 
 

A edição, por outro lado, é ponto muito positiva, tendo ao longo do livro várias pequenas ilustrações, e uma capa infantil e singela, que de toda forma, cativa o leitor, atiçando sua curiosidade por saber mais.



John Boyne (nascido em 30 de abril de 1971) é um romancista Irlandês. 
Ensinou língua inglesa no Trinity College, e Literatura Criativa na Universidade de East Anglia, onde foi galhardoado com o prêmio Curtis Brown. Já escreveu diversos romances, assim como uma quantidade de contos que foram publicados em várias antologias e transmitidos por rádio e televisão. Seus romances foram publicadas em 29 idiomas. The Boy in the Striped Pyjamas é um "mais vendido" em Nova York e teve adaptação para o cinema. Boyne reside em Dublim.



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