Resenha #350 - O Papel de Parede Amarelo!






Título: O Papel de Parede Amarelo
AutorCharlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
Ano2016
Especificações: Brochura | 112 páginas
ISBN9788503012720
 Sinopse
Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.
Cortesia Editora José Olympio (Grupo Editorial Record)


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Fragilizada e convalescente após um parto difícil, nossa heroína – que permanece sem nome durante toda a trama – é levada por seu marido e médico John, a repousar em uma antiga e bela construção colonial durante o verão, repleta de amplos e arejados jardins.

Surpresa, por um casal comum como ela e seu marido terem condições de alugar tal edificação, passa a suspeitar da construção, sobretudo, do papel de parede do quarto no qual passa a dormir. O quarto, localizado no andar de cima da casa, era pelo julgar da protagonista, um quarto infantil masculino, mas com o passar dos anos pouco sobrou da graça jovial do local, restando apenas o manchado, rasgado e puído papel de parede amarelo.

Com o passar dos dias, a atividade principal da protagonista é tentar desvendar o estranho padrão criado sobre o papel de parede, que segundo a mesma parece mudar de acordo com o horário do dia, ondulando e se mexendo durante a noite. As descrições feitas por ela do macabro papel nos faz querer observá-lo junto à heroína para decifrar os seus mistérios.

A cor já é medonha o bastante, duvidosa o bastante e enfurecedora o bastante, mas o padrão é torturante [...] É como um pesadelo.” (p. 43)

"O Papel de Parede Amarelo" trata-se de um terror psicológico de alta qualidade, escrito em primeira pessoa, comparável apenas aos manuscritos de Edgar Allan Poe. É interessante como o elemento do papel de parede torna-se uma obsessão de nossa heroína (e nossa), consumindo-a cada vez mais, até o desfecho da trama, assim como a evolução metafórica do significado do papel e da personalidade da protagonista, que no início é extremamente submissa ao marido, até ao longo da narrativa, deixa-lo de ser. 

Fico imaginando como foi feita e quem fez e por quê. São voltas e voltas e voltas – voltas e voltas e voltas. Chego a ficar tonta” (p. 53)

Mais do que uma simples obra de terror, Charlotte Perkins Gilman traz em sua narrativa uma ferrenha crítica social ao papel da mulher do século XIX e que vem sendo tão discutido por nossa geração. A obra, apresentada pela editora José Olympio conta não só com a história, mas também com um posfácio e notas escrito por Elaine R. Hedges para nos auxiliar a compreender as intricadas metáforas criadas por Gilman em sua obra.



Charlotte Perkins Gilman foi uma feminista americana proeminente, socióloga, escritora de contos, poesia e não-ficção, e uma professora durante a reforma social.
Foi uma feminista utópica e durante muito tempo suas realizações foram excepcionais para as mulheres, servindo como um modelo para as futuras gerações de feministas por causa de seus conceitos não-ortodoxos e estilo de vida. Sua melhor trabalho até hoje é o seu semi-autobiográfico conto "O Papel de Parede Amarelo", que ela escreveu depois de um surto grave de psicose pós-parto.


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