Resenha #356 - A Vida Como Ela Era (Os Últimos Sobreviventes Vol 1)!






Título: A Vida Como Ela Era
Coleção: Os Últimos Sobreviventes
Autor: Susan Beth Pfeffer
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2016
Especificações: Brochura | 378 páginas
ISBN: 9788528620696
 Sinopse
Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram – tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua. Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. O que Miranda não sabe é que os cientistas estão muito enganados... Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo. Através do diário da adolescente, A vida como ela era nos conduz por uma emocionante história de persistência, ensinando-nos que, mesmo diante de tempos assustadores e imprevisíveis, o recurso mais importante de todos – aquele que jamais deve ser extinto – é a esperança.
Cortesia Editora Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Nem mesmo sei por que estou escrevendo, a não ser para me sentir bem e porque, talvez, amanhã eu morra.

 

O mundo nunca mais será como o que vimos; a vida de Miranda nunca mais será a mesma. Em pleno começo de ano letivo, as expectativas da garota estão em alta, até o momento em que tudo a sua volta começa a desmoronar. Um meteoro atinge a lua e a desloca de sua órbita, aproximando-a da Terra. Em consequência disto, todo o clima no planeta é totalmente alterado e desastres naturais começam a ocorrer por todo o globo, desde tsunamis em áreas inesperadas, a terremotos devastadores. Aos poucos, tudo vai sendo consumido pelo caos, e a família de Miranda, embora fragmentada, continua a lutar pela sua sobrevivência, dia após dia.

A série distopia 'Os Últimos Sobreviventes', escrita pela autora Susan Beth Pfeffer começa excelentemente promissora, mas acaba decepcionando, conforme a narrativa vai se desenrolando. A distopia que tem uma visão muito promissora de um apocalipse que está acontecendo exatamente agora, acaba se perdendo frente a tantas reclamações adolescentes e lenga lenga clichê. A história perde totalmente o brilho distópico e se assemelha muito mais a um thriller psicológico, e embora isso seja bom, devido a imensa exploração humana que a autora faz de sua personagem, o enredo acaba deixando a desejar, devido as oscilações constantes na narrativa, ora interessante, ora repetitiva.


Algumas vezes, sinto que meu quarto é o único lugar seguro que resta.

As coisa vão melhorar. Elas não tem como ficar pior... É isso que todo dizem. E todos estão errados

A escolha de narrador foi para mim o ato mais falho da autora. O livro retratado em forma de uma espécie de diário de bordo da personagem, frente aos dias finais na Terra (ou pelo menos é isto que todos passam a acreditar quando a lua se move para mais próximo), fixa-se totalmente sobre o ponto de visão de Miranda, deixando a obra toda voltada em uma narrativa de primeira pessoa. Miranda, embora seja uma personagem muito humanizada, afetiva e extremamente em construção, buscando sua identidade, como qualquer adolescente na faixa de idade dela (16), torna-se chata e até mesmo repetitiva, conforme as folhas vão se passando e nada de mais interessante passa a acontecer. Ou pior, conforme suas duvidas e reflexões aumentam, e ela parece se tornar ainda mais imatura, sem sal e desagradável. O livro tem uma visão crítica extremamente instigante, e a premissa central de retratar a fragilidade e dignidade humana é ainda mais espetacular, mas a escolha de narrador de Pfeffer não foi uma das melhores, e comparar o livro a trilogia 'Jogos Vorazes' chega a ser bem extremo, ao meu ver. Ambos não possuem qualquer semelhança, não ser no fato das duas protagonistas possuírem um elo muito forte com o pai e com os irmãos. E ai entra mais um ponto que eu detestei profundamente: a mãe de Miranda. Embora a primeira vista aparente ser carinhosa e bondosa com os filhos, com o decorrer dos dias (gravados nas páginas por Miranda), tornar-se cada vez mais amargurada, seca e sem sombra de dúvidas, nada afetiva. Pelo contrário, seus cuidados parecem se concentrar numa preferencia ao filho mais novo, enquanto os outros dois (incluindo Miranda) ficam mais opaco, quase nem chegando a parecer uma afetividade materna. Brigas e momentos de tensão aguardam as cenas em que ela aparece.




O ponto chave da obra para mim foi as fortes críticas que a autora fez a religião, e isto tornou-se o inovador nesta distopia. Enquanto as outras criticam sociedade, governo, ambiente e diversos outros temas mais atuais, Pfeffer resolveu ferroar o fanatismo religioso e os dogmas impostos pela religião. Enquanto está tecendo suas críticas através de sua personagem, as passagens e diálogos vão ficando cada vez mais maduros e eletrizantes, de forma que o livro finalmente ganha suas cores, nestas poucas cenas. Mas outro ponto em especial me chamou atenção. Em vista que o livro vem montado em forma de diário, a separação não acontece por meses (e sim, eles são demarcados, com data e tudo), mas sim por estações, e cada estação parece apresentar uma nova dificuldade as nossos heróis sobreviventes, chegando ao momento do clímax onde reviravoltas inesperadas acontecem e o leitor acaba sendo surpreendido.
Qual a razão de Deu nos fazer humanos se Ele não quer que nos comportemos como humanos?

'A Vida Como Ela Era' é um livro de constantes, e embora o primeiro volume não tenha sido extremamente atraente, sua ideia e suas críticas ainda me fazem querer sim, continuar. Sem contar, claro, na edição, perfeitamente revisada e diagramada, com uma capa esplendida, dotada de alto relevo no título e na lua. Além disso, claro, é um livro de opiniões, e o primeiro de uma série. Muitas reviravoltas podem aguardar suas continuações.



Susan Beth Pfeffer (nascido em 1948) é uma autora americana conhecida por suas séries jovem adulto de ficção científica. Já escreve a 35 anos, e "The Last Survivors" ou a série "Lua Bater", é sua série de maior sucesso, tendo aparecido na lista de best-seller mais vendidos do New York Times.






2 comentários

  1. Oi David!
    Não conhecia esse livro, mas sua resenha foi bem interessante! Não sei se daria uma chance a história =/ Estou fugindo de protagonistas chatas, rs. E acho chato tbm qnd o autor acaba se perdendo na questão da distopia.
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  2. Oi David!
    Na época em que esse livro foi lançado, me senti um ET por ter detestado e só ler resenhas positivas. Me identifiquei muito com a sua opinião. Também acho que o maior erro foi a narrativa em primeira pessoa diante de uma história que podia ser tão ampla. E Miranda é uma personagem tão sem graça que a visão dela diante da catástrofe não se torna cativante, né? Para ser sincera, nem lembro das criticas a religião, só lembro que a personagem se preocupara muito com sua próxima refeição, rsrsrs
    Boa sorte com as continuações. Eu parei no primeiro.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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