17 outubro 2016

Resenha #85 - O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares Vol 1)!






Título: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares
Coleção: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora: Leya
Ano: 2015
Especificações: Brochura | 336 páginas
ISBN:  9788544102848
 Sinopse
Milhões de cópias vendidas em todo o mundo! Traduzido para mais de 40 idiomas! Eleito uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos Tudo está à espera para ser descoberto em "O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", um romance que tenta misturar ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo - por mais impossível que possa parecer - ainda podem estar vivas.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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'O Orfanato da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares' foi um livro, que a primeira vista, me deu uma sensação diferente, esperando que encontraria uma obra mais voltado ao terror básico/suspense. O mesmo não posso dizer ao fim da leitura. Com uma pegada bem infantil, o livro é bom, mediano, mas perdeu bastante pontos comigo devido a total foco que deu ao romance, tornando diversas partes monótonas e sem graça.


Uma tragédia familiar lança Jacob Portman em uma viagem de descoberta rumo a uma ilha quase abandonada na costa do País de Gales. Jake quer descobri quais mistérios seu avô guardava e que envolvimento ele pode ter com os monstros que aparecem para ele. Essa busca o levará ao orfanato onde o avô morou na sua infância e adolescência antes de combater na segunda guerra mundial. O que Jake não suspeita é que todas as histórias e fotografias estranhas que ele tinha e mostrou, são verdadeiras. Um novo mundo surge para o garoto, de forma que os mistérios que ele está tentando descobrir serão desvendados e novos perigos revelados.

Narrado em primeira pessoa, o primeiro volume da trilogia não tem grandes momentos de ação, tirando o final, mas garante uma leitura leve e rápida, apesar de todos os empecilhos. A narrativa de Ransom Riggs é muito leve, de certa forma, até simpática, sempre convidando o leitor a continuar, embora o teor do livro em si, seja um tanto quanto pesado. O autor, diferentemente do que aconteceu na adaptação, não tentou suavizar tanto assim o lado mais sombrio e maquiavélico que sua trama guarda. Algumas cenas são capazes até de causar certo arrepio. O jogo de texto e imagens, ao longo do livro, só engrandece a ideia de que realmente mergulhamos na obra e nos apropriamos do mundo de Riggs.

Gostei particularmente da ponto central da obra, mas confesso que dois aspectos reservados me chatearam um pouco. O primeiro é logicamente o romance, como já mencionei acima. Gosto de romance em livros, ou pelo menos não dou tanto importância quando eles são rápidos e naturais. Com esse primeiro volume da trilogia, eu não senti essa leveza. O romance que acontece entre Jake e outra personagem se tornou um tanto quanto forçado ao meu ver, como se a história precisasse realmente desse envolvimento para acontecer, o que não é o caso. Riggs tem todo um plano de fundo ótimo para explorar, mas foca-se muito no relacionamento desse protagonista e acaba criando alguns momentos de monotonia na leitura.

O outro ponto que não me agradou foi a pouca exploração que os personagens secundários ganharam. Eles estão sempre presentes na trama, mas não conhecemos a fundo suas histórias, origens ou até seus desejos. O foco fica todo sobre o protagonista, sendo que temos coadjuvantes muito mais interessantes, como é o caso de Millard e Enoch, doiss personagens por quem realmente me apeguei e gostaria de saber mais. Talvez o total foco para o envolvimento romântico do personagem principal tenha gerado esse  gasto de tempo excessivo sem que fosse dado espaço para os outros se mostrarem.

Possa ser, entretanto, que o romance não lhe chateie tanto assim. A mim, a garota envolvida nesse par não me desceu muito também. No começo achei Emma uma personagem forte, destemida, mas depois ela se transformou em algo muito superficial, como se a partir do momento em que começa a se relacionar com Jake, vivesse inteiramente pra ele (síndrome da Bella) e suas decisões passam a ser sempre sob medidas das dele.

Os méritos que não podemos tirar do autor é justamente o relacionamento de Jake com seu avô e pai. Foi uma construção muito interessante, até porque os pais, geralmente em YAs, quase são presenças mortas. Riggs resolveu apostar na realidade e colocou a família como barreira para o garoto enfrentar, por isso, a mim, 'O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares' passou a impressão de ser uma leitura sobre crescimento pessoal, amadurecimento. Vemos Jake fazer a jornada do herói, saindo dos braços da família e tornando-se o responsável por todos a sua volta, em uma batalha realmente cruel. Riggs não foi menos que magnifico nesse aspecto. A construção familiar que ele impõem em sua trama ficou bem resolvida, cheia de nuances de mistérios e segredos; verdades e mentiras.

No mais, como mencionei, foi uma leitura mediana, de forma que eu não sabia exatamente o que mais me agradou e o que menos me agradou, não modificando o fato de que me cativei pela mitologia demonstrada pelo autor e todo o clima meio gótico que a obra tem. Com uma edição muito legal, cheia de imagens ao longo do texto, e uma narrativa fluída, apesar dos empecilhos que tive com o romance, 'O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares' foi uma leitura divertida e interessante, dando espaço a uma série que vou sim, continuar.



Ransom Riggs cresceu na Flórida, mas agora reside na terra das crianças peculiares, Los Angeles. Ao longo da vida, formou-se no Kenyon College e na Escola de Cinema e TV da Universidade do Sul da Califórnia, além de fazer alguns curtas-metragens premiados. Nas horas vagas é blogueiro e repórter especializado em viagens, e sua série de ensaios de viagem, Strange Geographies, pode ser lida em ransomriggs.com.




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