23 novembro 2016

Resenha #94 - O Martelo de Thor (Magnus Chase e os Deuses de Asgard Vol 2)!





Título: O Martelo de Thor
Coleção: Magnus Chase e os Deuses de Asgard
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Especificações: Brochura |400 páginas
ISBN 9788551000700
 Sinopse
Em A Espada do Verão, primeiro livro da série, os leitores são apresentados a Magnus Chase, um herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain. Morador de rua, sua vida muda completamente quando ele é morto por um gigante do fogo. Por sorte, na mitologia nórdica os heróis mortos vão parar em Valhala, o paraíso pós-vida dos guerreiros vikings. Lá, Magnus descobre que é filho de Frey, o deus do verão, da fertilidade e da medicina.
Desde então, seis semanas se passaram, e nesse meio-tempo o garoto começou a se acostumar ao dia a dia no Hotel Valhala. Quer dizer, pelo menos o máximo que um ex-morador de rua e ex-mortal poderia se acostumar. Magnus não é tão popular quanto os filhos dos deuses da guerra, como Thor e Tyr, mas fez bons amigos e está treinando para o dia do Juízo Final com os soldados de Odin — tudo segue na mais completa paz sanguinolenta do mundo viking.
Mas Magnus deveria imaginar que não seria assim por muito tempo. O martelo de Thor ainda está desaparecido. E os inimigos do deus do trovão farão de tudo para aproveitar esse momento de fraqueza e invadir o mundo humano.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Seis semana após quase morrer tentando evitar o RagnarokMagnus Chase continua tentando se ajustar a sua nova vida como semideus no Hotel Valhala, agindo o mais normalmente possivel, se é que consegue ainda chamar algo em sua vida de normal. Mas essa suposta normalidade está prestes a acabar. O deus da trapaça Loki está planejando um casamento e o final da cerimônia pode ser celebrado com um verdadeiro banho de sangue e o começo do Ragnarok. Agora, Magnus e seus amigos precisarão viajar novamente pela terra dos perigosos gigantes enquanto tentam a todo custo impedir que Loki coloque suas mãos na arma desaparecida de Thor; um martelo mortal capaz de proteger a Terra de uma invasão iminente. Seriam eles capazes de encontrar a arma antes que seja tarde demais?



Apesar de um pouco mais longo que o necessário, 'Magnus Chase - O Martelo de Thor' é mais uma leitura divertida, cheia de piadinhas ácidas e personagens marcante, somando mais uma conquista para o currículo de Rick Riordan. Com certeza, uma empreitada irresistível.

Quanto tempo dava para insistir em salvar alguém, e em que momento desistíamos e sofríamos como se aquela pessoa tivesse morrido para nós?

Narrado em primeira pessoa, novamente o leitor se depara com a comicidade e toda a ironia que nosso protagonista, Magnus, possui. Em mais uma história cheia de graça, a leitura é fluída e divertida, não se tornando cansativa, embora, alguns momentos, tornem-se redundantes. O livro com suas 400 páginas me incomodou um pouco em alguns instante devido ao foco desnecessário em determinadas cenas; cenas essas que poderiam muito bem ter sido retiradas sem que o romance sofresse perdas. O que mantém o leitor preso a leitura é justamente o humor negro do protagonista, que arrasta você calmamente por todas as páginas, sem tornar aquilo algo penoso ou até enfadonho. 

Gostei principalmente do desenvolvimento que os personagens secundários ganharam nesse segundo volume. Diferentemente de outros livros que o autor trabalhou (trazendo mitologia como temática principal), esse o foco é não literalmente o personagem principal, mas sim os secundários, e seus dramas. Blitz, o anão, que já havia sido trabalhado no primeiro livro (enfase para ele lá), agora é colocado um pouco mais de lado junto de Magnus, enquanto Heart e Sam vão ganhando maior espaço, desenvolvendo suas personalidades e mostrando um pouco mais de seu passado. Heart em particular trouxe um ar muito mais pesado ao livro. Riordan apesar de tratar tudo com muita graça e ironia, tem focos extremamente sombrios durante a trama que podem realmente tocar o leitor ou emocionar. O elemento da morte é bastante presente nesse volume, em particular envolvendo familiares. O mesmo pode ser dito do preconceito. Acrescentando temas polêmicos como questões de gênero e religião, esses podem ser vistos como os melhores temas já desenvolvidos pelo autor. Ao mesmo tempo que são instigantes, são contraditórios, porque os personagens em si contradizem totalmente até o enredo central, tendo um ateu filho de um deus, ou então uma muçulmana que não acredita que essas divindades sejam realmente o Deus maior, mas sim, só criaturas geradas a partir dele. Essas questões são impactantes e sim, criam reflexão no leitor. A mesma coisa acontece com o personagem transgênero. Você se pega identificando-se com seus dilemas; a crueldade que sofre durante os dias em sociedade. Apesar de trazer a fórmula já muito conhecida (e tão criticada), eu pessoalmente vejo muito diferencial não só na escrita de Riordan (desde o primeiro livro de Percy Jackson), como também na escolha de temas para abordar. E vale ressaltar que tendo em vista um público infanto juvenil, o livro se torna ainda mais válido por trazer a discussão de temas tão importantes que realmente precisam ser debatidos e encarados pela sociedade como algo normal, e não diferente e errado (universalização de uma religião, ou de distinção de gênero).

Então, embora o restante do mundo condene o autor por trabalhar sempre mais do mesmo, eu não. Não como fã, mas como leitor, aprecio a leitura de seus livros, que desperta minha curiosidade por mitologia, assim como também são geralmente leves e cômicos, de forma que nunca se torna cansativo, pelo menos não para mim. 'Magnus Chase - O Martelo de Thor' fica mais que indicado.



Rick Riordan nasceu em 1964, em San Antonio, Texas, Estados Unidos, onde mora com a mulher e dois filhos. Durante quinze anos ensinou inglês e história em escolas públicas e particulares de São Francisco. Além da série Percy Jackson e os Olimpianos, publicou a premiada série de mistério para adultos Tres Navarre.




2 comentários:

  1. Que bom que eu não sou a única que achou o livro extenso. Eu tava bem doente quando li, e achei que fosse por isso que eu tava com a impressão de que o livro não acabava nunca, mas pelo jeito não foi. Ainda assim, é uma história maravilhosa, como todas as do tio Rick. Eu também não reclamo nem um pouco por ele se manter escrevendo mais e mais do mundo que criou. Se nem eu consigo enjoar e me desapegar dos personagens, imagina ele! Podem vim, mitologias ♥

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Ahh Carol, me abraça <3
      Também não.
      Eu pessoalmente sempre consigo ver diferencial de uma história para a outra. Não sei porque o povo fica nessa de comparar. Não só as mitologias mudam, como o Riordan tem uma facilidade incrivel de distinguir um personagem de outros. Nenhum criado até o momento se iguala a Percy

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