Resenha #384 - Os 13 Porquês!





Título: Os 13 Porquês
Autor: Jay Asher
Editora: Intrínseca
Ano: 2009
Especificações: Brochura | 256 páginas
ISBN: 13: 9788508126651
 Sinopse
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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AVISO: O LIVRO POSSUI CENAS SOBRE ESTUPRO



A leitura de 'Os 13 Porquês' foi um apurado, que em seu total, comigo, soou, confuso. Esse livro traz uma temática pesada, cenas fortes e uma ideia que a mim pareceu errada. O tema central abordado é interessante, mas o autor falha em alguns aspectos da obra, deixando o livro mal estruturado, tornando-o algo meio inapropriado.

Durante a trama iremos conhecer Hannah, uma jovem que se suicidou. E não, isso não é spoler. Na realidade, desde o começo da obra temos a certeza que a garota já não está viva e a história e justamente sobre isso: os motivos que a levaram a fazer isso. Acontece que antes de se matar, Hannah gravou fitas onde conta 13 motivos que a levaram a cometer esse suicídio, e as fitas são enviadas as 13 pessoas que estão relacionadas a esses motivos.

Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros - que não são realmente como nos sentimos -, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar.

Tudo o que a gente realmente possui... É o agora.

O livro vem narrado em duas perspectivas, que aparecem simultâneamente dentro do enredo e aqui começa meu primeiro problema com a leitura. Tendo a visão de Hannah que surge através das fitas, e de Clay, o cara que estava apaixonado por ela e não entende porque está envolvido entre os motivos, o leitor precisa a todo instante estar atento para separar o fluxo de pensamento de ambos os personagens, já que eles aparecem no mesmo capítulo, as vezes, complementando o pensamento um do outro. A ideia proposta por Jay Asher pode até ter sido diferente e interessante, mas comigo, falhou. O autor não se esforça muito em criar uma distinção entre os personagens, de maneira que Clay fica muito insosso dentro da trama; sua personalidade em nada difere de Hannah, o que causa confusão na hora de distinguir quem está falando. Não existe uma característica marcante para nenhum deles, e tirando o fato da letra ser itálico para Hannah e normal para Clay, nada mais difere os dois personagens que ficam se complementando em uma conversa muito esquisita e enrolada.

Mas as falhas de Asher não param por ai. A maneira como ele aborda o suicídio, até a mim, que não estudei o assunto mais profundamente, pareceu muito errada. Eu não sei enfatizar qual sentimento sentir ao ler esse livro, porque eu me sinto vazio, sem saber o que eu deveria ter tirado daqui. Tirando algumas fitas onde eu realmente consegui me conectar mais aos personagens, a grande maioria parece passar batido, de maneira tão superficial que nem o sofrimento da protagonista me afetou. Além disso, Clay sempre esta extremamente passivo a tudo que acontece a sua volta. Ele percebe os erros, reconhece os sinais, mas em momento algum parece tomar uma atitude, e esse ponto, em particular me desagradou extremamente. Não sei bem, mas o ato que leva ao suicido pareceu muito mal abordado. A forma como Hannah lidou com os fatos ou como isso é contado para nós fica meio surreal de acreditar, parece fugir demais do contexto. Ela era uma personagem que não tive apenas um motivo para se suicidar, mas N outros. No enredo, a todo instante, o pior lado, de todo mundo, parece sempre vir a tona, como se ela não enxergasse um meio termo. Eu não sei exatamente quais definições poderia trazer, só que esse livro me deixou intrigado e vazio.

E fiquei vagando durante horas, imaginando que a neblina engrossava e me engolia inteira. A ideia de desaparecer desse jeito tão simples assim - me fez feliz.

Em ressalvas, eu colocaria como ponto positivo a relação estabelecida entre os motivos. O autor separou bem os dois momentos da trama, de forma que você vai percebendo a densidade do romance conforme as fitas vão se passando. Elas começam por motivos pequenos, até mesmo banais, como fofocas ou recusa de amizades, para coisas mais complicadas e pesadas, como bullying, assédio sexual e até mesmo estupro. São diversas situações vivenciadas pelos mais diferentes personagens, e nesse aspecto não tenho do que reclamar. O que me chateia e a maneira rasa como tudo é tratado, de formar que eu não consegui criar qualquer empatia pela dor da personagem ou pela culpa dos envolvidos. 

'Os 13 Porquês' foi uma leitura meio desnorteada para mim, e eu poderia descrever como estranha e boa, sem mais o que acrescentar. É um livro com uma linguagem didática que trabalha temas pesados e a maneira como os mostra, pra mim, não pareceu a mais adequada. Mas ficam as indicações para que você conheça e tente ter sua própria experiência. 


Jay Asher é um escritor americano contemporâneo de romances adolescentes. Ele nasceu em Arcadia, Califórnia em 30 de Setembro de 1975. Cresceu numa família que o encorajou em todos os seus hobbies, de tocar guitarra à escrever histórias. Ele escreveu o livro "Os 13 Porquês" (Thirteen Reasons Why).



2 comentários

  1. Oi David!
    Ainda não li esse também, mas está na minha listinha já que o seriado vai estrear logo mais né. Eu sempre ouvi muitos comentários positivos, acho que a sua resenha é a primeira que vejo dizendo o contrário, e na verdade acho isso muito bom! Levarei todas as suas ponderações em consideração quando estiver lendo, e gostei muito da sua resenha!

    Beijos

    http://www.paradisebooks.com.br/

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  2. Oi David, tudo bem?
    Eu gostei muito da obra e em todo momento eu senti empatia pela Hannah. Ela é uma personagem na qual eu gostaria de cuidar e evitar que isso tivesse acontecido com ela, sabe? Sobre a galera dos "motivos" eu não consegui me apegar a eles, nem de forma boa ou ruim(exceto com alguns casos específicos, como os mais "graves" judicialmente.
    Em suma, é um livro raso, mas que apatir dele, ótimos debates podem ser levantados, procurando seguir de forma mais profunda diferente do livro.

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